Quando criança, subir em árvores, aranhar-me entre os umbrais e trepar em brinquedos metálicos eram maneiras de superar a pequeneza infantil, almejar alturas espirituais pelo meio físico, aspirar lembrar-me, lá em cima, da verdade ainda fresca numa memória tão vasta. Mas essa pequeneza cresceu, com o tempo e a experiência, e hoje não há arranha-céu, viagem aérea ou espacial que a vença - sou homem, como todos, que deseja ser mais do que é e se torna inferior ao que sente.
A palavra se enche, se esvazia e se reenche de significado com grande velocidade e banalidade, até o momento em que é petrificada pelo pensamento estático, preguiçoso, embotado, cansado de nunca ser.
Na mesma medida, por exemplo, a cidade cresce e seu nome perde importância: você não pensa em Rio de Janeiro, mas em tudo o que sabe sobre o lugar que deu sentido à frase.
O mesmo acontece com o amor, infestado de nossos traumas e alegrias, portador dessa soberba horrível que temos ao achar conhecê-lo.
E assim é com o mundo, que violentamos a todo momento por taxá-lo negativamente sem sabê-lo, julgando-o meramente a partir de nossa curtíssima experiência nele.
Chega desse movimento gasto e revoltado que revoluciona a revolução, que reage à reação, que guerreia contra a guerra, que parou de perguntar porquês e passou a afirmá-los com raivosa convicção.
Chega de autocrítica hipócrita, que busca ferir o outro pela autoflagelação, quando "ai de mim" é "ai de vós", sendo sempre santa a lamúria e blasfema a redenção.
Quero anular essa distância abissal de observação dos fatos e perder por completo a habilidade de diferenciá-los de mim, de você, de nós e de tudo.
Quero redescobrir as coisas, não sem antes ver derreter delas esse manto ceroso de preconceitos e encontrar as palavras em momento de pré-concepção.
E que assim permaneçam, nunca ditas, numa sofreguidão alerta, nessa ânsia de palavra consciente dela mesma, estado único em que ela pode ser-se.
Esse é o poema que eu não escrevi, e nada superará sua beleza.
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Não sou ladrão de fotos, o crédito é deste rapaz, cuja página de fotos pode ser acessada clicando-se neste link ou sobre a imagem.
Empresa de esforço empreendido só se aprende a prender
E por que ninguém pergunta porque ninguém pergunta por quê?
A miríade insentida de sentidos sincera e sensata inexata, descartada
E nessa vida inovada o imperativo é automático sem saída e censura
Mas lhe parece óbvio que me parece claro que nos parece certo que desaparecerá
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A partir do próximo post tomarei vergonha na cara e não mais farei links para o rapidshare. Vou criar uma conta no internet archive, e haverá outra maneira de acessar meus mp3. Por enquanto, esse é baixável -> AllanZi - Corinthians.mp3 (Rapidshare)
Tenho negligenciado este blog deveras e hoje o farei novamente, porém, com uma postagem. Possuo um daqueles cadernos, sim, um caderno, de papel, com linhas impressas e uma espiral metálica, em que anoto certas digestões intelectuais/espirituais nos momentos mais criticamente tediosos e irritantes de determinados dias, quando existe a necessidade de autocontrole para que não se transforme em autoflagelo. Visto que a incidência destas circunstâncias é grande, como provavelmente o é para todos os "trabalhadores honestos" deste mundo, há bastante material... A qualidade é duvidosa, mas fingirei que a justificativa da publicação é estudar a mente criativa nessas situações. Portanto, finjamos ser esta uma investigação conjunta, em partes, e a primeira:
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Prefiro a viagem à chegada e ainda que o momento de chegar houvesse eu o atravessaria mas não há pois viajo
São todos tão seguros e tão sábios em sua ignorância assegurados pela sapiência da ignorância alheia
Sou meu próprio deus maligno e a causa de tudo sou eu ainda que professe a fé de outrem serei eu a professá-la cale-se, por favor
O medo é o fruto do passado em relação ao futuro assim como tudo no presente não há medo e o presente é liberdade assim como nada
As pessoas estão sempre em contagem regressiva sem nunca regressar da contagem e se perdem sem perder-se pois faltará sempre um falta um, não dois
E ver o reflexo de um relfexo que se oculta na opacidade de um meio o ar, o éter, o vácuo, talvez mas sempre um espaço observado e observador
Na extensão da ação um frio, um vazio pois intencionada, simplesmente sem interior, só razão ou nem isso e os extremos se esticam na reta e na queda parábola que vira círculo que vira cárcere que exclui o bom externa o mau
Na percepção do movimento está a soma e a subtração a simultaneidade do sim do saber e do ser onde o será não foi quando foi não será e o medo não está nem seria
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Clipe novo do Radiohead. Bem "prafrentex", como costuma ser com esses rapazes. "Filmado" sem câmeras, apenas com scanners a laser... O primero videoclipe "escaneado"?
O cão não é humano mas é urbano e late para o entregador de jornais
Não se trata mais de sapiência natural ou fisiológica Quando muito obediência à lei de pedra dessa selva louca de pedra e cão que latu não logos mas nunca perde um ladrar
O entregador, por sua vez cumpre função passiva de ser entregue ao destino de ser latido por ele de ser ouvido pro uivo de ser uivado pro mundo aos primeiros raios de sol
Empilho dia em dia até obter bom estoque para pagar as moedas que me custam o dia-a-dia e a vida de quem morre mas discutem se ela vale esse tanto esse tanto?
Mato todos, mato todos ele diz Uma arma na mão e a outra no bolso outra mão mais um crime e acredita não saber disso o porquê
Por que mãos sempre separadas uma aqui outra ali não unidas numa prece derradeira?
Se lamentam, sei lá, amém Tão se lá mentem, não sei Lentamente vão-se além violentam-se de amor mas se alentam: "c'est la vie"