segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lixo bêbado (Ex-trema)

Foda-se o trema
que já nada se entremia
nem atrevia-se a interceptar
um colóquio vulgar, qualquer

Foda-se, que eu já não quero mais
nem quero, nem quero
vá à merda sem trema craseado
meu senhor

E se não fizer sentido pra ninguém
pouco importa quão agudo é o acento
se a inclinação é a vérbia
servilista

Vá se incomodar com sem
se a inimizade é além
e o excomungado é rei
e é lei

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Minimundo

No minimundo de uma cultura sempre novíssima, cujos habitantes julgam não cultivá-la, há estranhíssimas auras em torno dos feitos das pessoas que carregam os nomes das pessoas que os carregam seus feitos. E eu aspiro mundar-me, mas submundo-me ainda, não sabendo ser sorte a minha periférica frustração.

Hoje todo cada um (serumano, pessôua) é uma marca, com seu (meu) logotipo estampado nos megamultimeios internéticos afora, com sua (minha) música tocando em autocadores virtuais etéreos, e a minha (sua!) frasE-E de EFEIT.O, exibida repetidatidarepemente à exaustão da exaustão ocular/cerebral alheia/própria.

Queremos ir, estamos chegando, mascarados como nunca, em mil camadas fotoxópicas, numa festa sílica chip de gente, no zumzumzum de tumtumtum organelétrico, sem saber se ainda tem algum no corpo. Mas não há escapatória quando se é um diplomácrita... Inventa uma desculpa e sai, e mente. Entre e minta-se em casa, fique.

Aparando-se as arestas de uma outra bobajada múndica, a de nossos pais e mestres, revolvemos revolutos nada novo, vã guarda-pó e colixonadora. E a última desilusão será a que me desarmará para sempre, e desarmar-te-á também, arte, numa rendição completa de nossa condição egotríptica de pensar o mundo pensado, não-mundo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sentinela da Sorte

Vivo para dar forma ao ar que me circunda
e deformá-lo com um movimento irrefletido de mim
deixando, às vezes, sem função a luz que me vê
mas no esforço constante de olhá-la

E você procura um certo momento memorável
numa angústia futurista
fiel ao que virá

Qual desses sou eu?

Escrevo com toda certeza essa dúvida
para que pertença ao passado
e saiba disso pra sempre

Ao passo que fui na frente
dizer ao ar do presente
e à luz desse espaço
que me vejam ser formado
e sumir de reflexo
antes que tarde seja

--

AllanZi - Never Dream (Lounge)(Test) - clique com o botão direito e escolha 'Salvar link como...', ou 'Salvar destino como...' para baixar. Agora armazenados para toda a eternidade em um lugar virtual desconhecido, os links não mais perder-se-ão. Será assim a partir de hoje! E em breve testarei o player embutido desta maravilha tecnológica, acoplável ao blog. Aguarde, pessoa que não leu o que está escrito, o futuro se aproxima!

P.S.: Crédito da imagem:
Rosana Ferreira (clique sobre para ir a seu perfil no Flicker).

sábado, 6 de setembro de 2008

Laçangue

Se o amor é embrulhado
em papel doloroso
e o laço é de sangue
o rancor é presente

Se o telhado é de pedra
o temor é sagrado
e o altar é de vidro
o vizinho não quebra

Se o comando da mente
é essa mágoa latente
com ardor semelhante
governam-se impérios

Se a pauta é terceira
em dois tempos se nota
se a desgraça é compasso
ou revés temporal

Se o mundo é lá fora
essa vida é morada
e o espaço da alma
é o corpo do lar

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Rosto a Reboque

Cimento e ar
passeio arenoso e sujurbano
parece prazeroso chamar escombros de lar

Mas é terra de chances
apesar de infértil
e se torna impermeável à fluência do amor

Ação oportuna e promíscua é sim construir
e que o vazio fique sempre pra depois

Até explodir de tanto vagar esse espaço
e manchar de nada nossa cara somática
e total

Mas viva viver nesse lodo
e que o modo do mundo seja puro
cinzento
e fatal

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ascendescer

Quando criança, subir em árvores, aranhar-me entre os umbrais e trepar em brinquedos metálicos eram maneiras de superar a pequeneza infantil, almejar alturas espirituais pelo meio físico, aspirar lembrar-me, lá em cima, da verdade ainda fresca numa memória tão vasta. Mas essa pequeneza cresceu, com o tempo e a experiência, e hoje não há arranha-céu, viagem aérea ou espacial que a vença - sou homem, como todos, que deseja ser mais do que é e se torna inferior ao que sente.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sôfrego Dessignificado

A palavra se enche, se esvazia e se reenche de significado com grande velocidade e banalidade, até o momento em que é petrificada pelo pensamento estático, preguiçoso, embotado, cansado de nunca ser.

Na mesma medida, por exemplo, a cidade cresce e seu nome perde importância: você não pensa em Rio de Janeiro, mas em tudo o que sabe sobre o lugar que deu sentido à frase.

O mesmo acontece com o amor, infestado de nossos traumas e alegrias, portador dessa soberba horrível que temos ao achar conhecê-lo.

E assim é com o mundo, que violentamos a todo momento por taxá-lo negativamente sem sabê-lo, julgando-o meramente a partir de nossa curtíssima experiência nele.

Chega desse movimento gasto e revoltado que revoluciona a revolução, que reage à reação, que guerreia contra a guerra, que parou de perguntar porquês e passou a afirmá-los com raivosa convicção.

Chega de autocrítica hipócrita, que busca ferir o outro pela autoflagelação, quando "ai de mim" é "ai de vós", sendo sempre santa a lamúria e blasfema a redenção.

Quero anular essa distância abissal de observação dos fatos e perder por completo a habilidade de diferenciá-los de mim, de você, de nós e de tudo.

Quero redescobrir as coisas, não sem antes ver derreter delas esse manto ceroso de preconceitos e encontrar as palavras em momento de pré-concepção.

E que assim permaneçam, nunca ditas, numa sofreguidão alerta, nessa ânsia de palavra consciente dela mesma, estado único em que ela pode ser-se.

Esse é o poema que eu não escrevi, e nada superará sua beleza.

--

Não sou ladrão de fotos, o crédito é deste rapaz, cuja página de fotos pode ser acessada clicando-se neste link ou sobre a imagem.

Enquanto eu não tomo vergonha na cara, baixe: AllanZi - Perdão (Rapidshare)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Cadernices 2 - A Miríade do Imediato

Objeto da ação
afazer
objeção
abjeto

Empresa de esforço empreendido
só se aprende
a prender

E por que
ninguém pergunta
porque ninguém pergunta
por quê?

A miríade insentida de sentidos
sincera e sensata
inexata, descartada

E nessa vida inovada
o imperativo é automático
sem saída
e censura

Mas lhe parece óbvio
que me parece claro
que nos parece certo
que desaparecerá

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A partir do próximo post tomarei vergonha na cara e não mais farei links para o rapidshare. Vou criar uma conta no internet archive, e haverá outra maneira de acessar meus mp3. Por enquanto, esse é baixável
-> AllanZi - Corinthians.mp3 (Rapidshare)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Perdedor

Eu escondo meus defeitos nas virtudes
e não nego ser por vezes perdedor

Mas desejo que se afirme entre os demais
e que seja o primeiro colocado

Eu desejo que suceda
condecorado ou promovido

Pouco importa quem melhor deseje
contanto que o bem seja seu

É o que faz com seu mal que preocupa
e não desejo esse medo a ninguém

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Imagem: William Adolphe Bouguereau (1825-1905) – Dante And Virgil In Hell (1850)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Cadernices

Tenho negligenciado este blog deveras e hoje o farei novamente, porém, com uma postagem. Possuo um daqueles cadernos, sim, um caderno, de papel, com linhas impressas e uma espiral metálica, em que anoto certas digestões intelectuais/espirituais nos momentos mais criticamente tediosos e irritantes de determinados dias, quando existe a necessidade de autocontrole para que não se transforme em autoflagelo. Visto que a incidência destas circunstâncias é grande, como provavelmente o é para todos os "trabalhadores honestos" deste mundo, há bastante material... A qualidade é duvidosa, mas fingirei que a justificativa da publicação é estudar a mente criativa nessas situações. Portanto, finjamos ser esta uma investigação conjunta, em partes, e a primeira:

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Prefiro a viagem à chegada
e ainda que o momento de chegar houvesse
eu o atravessaria
mas não há
pois viajo

São todos tão seguros
e tão sábios em sua ignorância
assegurados pela sapiência
da ignorância alheia

Sou meu próprio deus maligno
e a causa de tudo sou eu
ainda que professe a fé de outrem
serei eu a professá-la
cale-se, por favor

O medo é o fruto do passado
em relação ao futuro
assim como tudo
no presente não há medo
e o presente é liberdade
assim como nada

As pessoas estão sempre
em contagem regressiva
sem nunca regressar da contagem
e se perdem sem perder-se
pois faltará sempre um
falta um, não dois

E ver o reflexo de um relfexo
que se oculta na opacidade de um meio
o ar, o éter, o vácuo, talvez
mas sempre um espaço observado
e observador

Na extensão da ação
um frio, um vazio
pois intencionada, simplesmente
sem interior, só razão
ou nem isso
e os extremos se esticam
na reta e na queda
parábola que vira círculo
que vira cárcere
que exclui o bom
externa o mau

Na percepção do movimento
está a soma e a subtração
a simultaneidade do sim
do saber e do ser
onde o será não foi
quando foi não será
e o medo não está
nem seria

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Clipe novo do Radiohead. Bem "prafrentex", como costuma ser com esses rapazes. "Filmado" sem câmeras, apenas com scanners a laser... O primero videoclipe "escaneado"?