sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Café secreto


Dormi quatro ou três horas, sei lá, foda-se! O importante é que o mundo ainda não acordou. Desço a escada pra fazer um café forte, um pingo de leite e aquela essência de baunilha que só se usa duas vezes por ano, num bolo ou doce que o valha. Uma delícia! Bem açucarado... porque o mundo ainda não acordou. (Que bom que não fumo mais. Como me fazia mal aquela bosta! Alguns relatariam essa cena com o fogo acendendo e um belo trago. Fodam-se! É gente que nunca saiu da fase oral) Não tem ninguém gritando, rindo ou chorando. Não é difícil manter o silêncio quando não se tem com quem conversar. Ah, o silêncio. O silêncio também é vida, porra! É mais vida que a barulheira da novela, o motoboy acelerando aquela merda, o cara com som alto no carro pra compensar o pau pequeno. O silêncio é do caralho! Aquela chata do trabalho deve tá dormindo, resmungando algo entre os dentes. Nem ela nem ninguém acordou! O café vai esfriando, mas que se foda, pois eu não tô fazendo nada. Tô fazendo tamanho nada que até esqueci um pouco do café, aquela caneca enorme, cheia. Tá bom até frio! Faço nada com um gosto que não tenho por muita coisa que faço fazendo. Nada! Nem o cachorro acordou. Fico olhando seu respiro preguiçoso, feliz por ele não latir ou fungar. Os passarinhos bem que tentam acordar o mundo, mas ele tá dormindo. Eu não. Até que ele desperta, mas eu já tava me conformando. Se o mundo não acordasse, eventualmente, esse meu café secreto, que pode durar minutos ou horas, não aconteceria. Pode acordar, mundo fodido! Agora eu já tô pronto pra você!

2 comentários:

Erika Sodré disse...

*Seus textos são muito bacanas, gostei bastante!

Allan Araújo Zaarour disse...

Obrigado!