quarta-feira, 27 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Me Espera

O silêncio cômodo e diário de renúncia
como podemos deixar?
Quem verteu sobre nós essa cera
de sobrevivência opaca e escura
secou nossas bocas
de qualquer fluidez que fora
E eu me sinto perdendo tempo
perdendo tempo
perdendo tempo!
Pois só me ensinaram a ganhar
Fui criado em glória crônica
temperamental, maculosa
de se ter sempre sem
E sou obrigado a ver e ser
uma dessas caras fechadas sem gosto
no retorno pro retorno
sem lar
nem lugar pra apoiar o caderno,
com espetos no recosto
nesse câncer de paredes
sem mesas nem cadeiras
pra descansar
E será que há medo semelhante
ao medo do semelhante?
Há muita gente nesse rio em cheia
de gente cheia de gente
E minha cabeça cheia
de complexa inutilidade
Depressão profunda na face do mundo
e o mundo de costas pra vida
Eu sei que há beleza,
me espera,
eu sei que a beleza me espera
só não quero fazê-la esperar
segunda-feira, 16 de março de 2009
Amata-me, amor, me encontra
Quero sim o bom da vida
sem esperar que ela me dê
nem tampouco tomar dela
bem-me-quer dela, meu quê
Quero amor de uma só sorte
da mesma que presenteia
me envolve, mulher-me, ensina
me mata antes da morte
e salva-me!
sem esperar que ela me dê
nem tampouco tomar dela
bem-me-quer dela, meu quê
Quero amor de uma só sorte
da mesma que presenteia
me envolve, mulher-me, ensina
me mata antes da morte
e salva-me!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Teramar
Não preciso tê-la
para que sejas minha
És minha ausência de posse
e minha, ainda assim
És meu desapego das coisas
e minha, ainda que em outro gênero
És minha falta de tempo
e minha, pela eternidade
És tudo o que de todos é só meu
És minha, e quero não precisá-la
mas preciso querê-la
Envolves o que nada tenho
e é assim que me proteges de ter
Pois és minha
e só o que tenho é de ser teu
para que sejas minha
És minha ausência de posse
e minha, ainda assim
És meu desapego das coisas
e minha, ainda que em outro gênero
És minha falta de tempo
e minha, pela eternidade
És tudo o que de todos é só meu
És minha, e quero não precisá-la
mas preciso querê-la
Envolves o que nada tenho
e é assim que me proteges de ter
Pois és minha
e só o que tenho é de ser teu
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Amor criador
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Lixo bêbado (Ex-trema)
Foda-se o trema
que já nada se entremia
nem atrevia-se a interceptar
um colóquio vulgar, qualquer
Foda-se, que eu já não quero mais
nem quero, nem quero
vá à merda sem trema craseado
meu senhor
E se não fizer sentido pra ninguém
pouco importa quão agudo é o acento
se a inclinação é a vérbia
servilista
Vá se incomodar com sem
se a inimizade é além
e o excomungado é rei
e é lei
que já nada se entremia
nem atrevia-se a interceptar
um colóquio vulgar, qualquer
Foda-se, que eu já não quero mais
nem quero, nem quero
vá à merda sem trema craseado
meu senhor
E se não fizer sentido pra ninguém
pouco importa quão agudo é o acento
se a inclinação é a vérbia
servilista
Vá se incomodar com sem
se a inimizade é além
e o excomungado é rei
e é lei
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Minimundo
No minimundo de uma cultura sempre novíssima, cujos habitantes julgam não cultivá-la, há estranhíssimas auras em torno dos feitos das pessoas que carregam os nomes das pessoas que os carregam seus feitos. E eu aspiro mundar-me, mas submundo-me ainda, não sabendo ser sorte a minha periférica frustração.Hoje todo cada um (serumano, pessôua) é uma marca, com seu (meu) logotipo estampado nos megamultimeios internéticos afora, com sua (minha) música tocando em autocadores virtuais etéreos, e a minha (sua!) frasE-E de EFEIT.O, exibida repetidatidarepemente à exaustão da exaustão ocular/cerebral alheia/própria.
Queremos ir, estamos chegando, mascarados como nunca, em mil camadas fotoxópicas, numa festa sílica chip de gente, no zumzumzum de tumtumtum organelétrico, sem saber se ainda tem algum no corpo. Mas não há escapatória quando se é um diplomácrita... Inventa uma desculpa e sai, e mente. Entre e minta-se em casa, fique.
Aparando-se as arestas de uma outra bobajada múndica, a de nossos pais e mestres, revolvemos revolutos nada novo, vã guarda-pó e colixonadora. E a última desilusão será a que me desarmará para sempre, e desarmar-te-á também, arte, numa rendição completa de nossa condição egotríptica de pensar o mundo pensado, não-mundo.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Sentinela da Sorte
Vivo para dar forma ao ar que me circunda
e deformá-lo com um movimento irrefletido de mim
deixando, às vezes, sem função a luz que me vê
mas no esforço constante de olhá-la
E você procura um certo momento memorável
numa angústia futurista
fiel ao que virá
Qual desses sou eu?
Escrevo com toda certeza essa dúvida
para que pertença ao passado
e saiba disso pra sempre
Ao passo que fui na frente
dizer ao ar do presente
e à luz desse espaço
que me vejam ser formado
e sumir de reflexo
antes que tarde seja
--
AllanZi - Never Dream (Lounge)(Test) - clique com o botão direito e escolha 'Salvar link como...', ou 'Salvar destino como...' para baixar. Agora armazenados para toda a eternidade em um lugar virtual desconhecido, os links não mais perder-se-ão. Será assim a partir de hoje! E em breve testarei o player embutido desta maravilha tecnológica, acoplável ao blog. Aguarde, pessoa que não leu o que está escrito, o futuro se aproxima!
P.S.: Crédito da imagem: Rosana Ferreira (clique sobre para ir a seu perfil no Flicker).
e deformá-lo com um movimento irrefletido de mim
deixando, às vezes, sem função a luz que me vê
mas no esforço constante de olhá-la
E você procura um certo momento memorável
numa angústia futurista
fiel ao que virá
Qual desses sou eu?
Escrevo com toda certeza essa dúvida
para que pertença ao passado
e saiba disso pra sempre
Ao passo que fui na frente
dizer ao ar do presente
e à luz desse espaço
que me vejam ser formado
e sumir de reflexo
antes que tarde seja
--
AllanZi - Never Dream (Lounge)(Test) - clique com o botão direito e escolha 'Salvar link como...', ou 'Salvar destino como...' para baixar. Agora armazenados para toda a eternidade em um lugar virtual desconhecido, os links não mais perder-se-ão. Será assim a partir de hoje! E em breve testarei o player embutido desta maravilha tecnológica, acoplável ao blog. Aguarde, pessoa que não leu o que está escrito, o futuro se aproxima!
P.S.: Crédito da imagem: Rosana Ferreira (clique sobre para ir a seu perfil no Flicker).
sábado, 6 de setembro de 2008
Laçangue
Se o amor é embrulhadoem papel doloroso
e o laço é de sangue
o rancor é presente
Se o telhado é de pedra
o temor é sagrado
e o altar é de vidro
o vizinho não quebra
Se o comando da mente
é essa mágoa latente
com ardor semelhante
governam-se impérios
Se a pauta é terceira
em dois tempos se nota
se a desgraça é compasso
ou revés temporal
Se o mundo é lá fora
essa vida é morada
e o espaço da alma
é o corpo do lar
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