Mostrando postagens com marcador zugzwang. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador zugzwang. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma nova espiritualidade




















Nós gostaríamos de nos apresentar
Nós somos uma nova geração de desbravadores espirituais
Nós não precisamos mais de respostas de segunda mão

Nós não culpamos mais os outros por nosso sofrimento
Nossa espiritualidade vai além da culpa e castigo cósmicos
E além do pensamento 'nós e eles'

Nós não nos agarramos mais a livros sagrados
Pois todos os livros são sagrados
Nós não matamos em nome da verdade
Pois a verdade está em todo lugar

Nós estamos dispostos a enfrentar sem medo a experiência do presente
Sem conclusões e sem preconceito
Nua, como no dia em que nascemos
Abertos ao que vier

Nós não esperamos mais pela vida
Ou por alguma revelação divina no futuro
Porque nós vemos vida em tudo o que há
Incluindo a espera pela vida
E vemos Deus em tudo o que outrora rejeitamos

Nós não sonhamos mais em fugir
Ou com algum "Céu" perfeito
Pois nos aconchegamos na incerteza
E a dúvida já é nossa velha amiga
E o não saber é amado com carinho
E a imperfeição é profundamente sagrada para nós

O corpo está incluído
A mente não é a inimiga
Sentimentos são sagrados
A sexualidade é celebrada
Nós amamos a bagunça que é ser humano!

E nós finalmente entendemos
Que sabedoria e compaixão
Absoluto e relativo
Dualidade e não dualidade
Transcendência e imanência
Pessoal e impessoal
Humano e divino
Nunca estiveram separados

- Jeff Foster

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Um dia na selva internética

Acordei bem cedo. Aliás, mal dormi. A selva da internet chama minha atenção o tempo todo, com sua flora colorida, fauna exótica e ruídos estranhos. A começar pelo cri-cri de um grilo, ao lado da minha rede, dentro da oca: as primeiras notificações do dia, antes ainda que eu me levantasse. E o grilo me segue aonde vou, grilando o que acontece na mata.

O caminho até a caçada diária beira um riacho apinhado de cardumes de notícias, rumo a um oceano de informações. No céu, revoadas de pequenos tuítes migrando sabe-se lá para onde – suas tendências são imprevisíveis. 


 Os trending topics


Chegando ao local que escolhi para caçar e obter algum sustento, fui pego de surpresa por uma chuva torrencial de e-mails. Não foi tanta surpresa assim, já que esse toró de correio eletrônico desaba mais ou menos nesse mesmo período, todos os dias. Procurei me abrigar, mas o aguaceiro era implacável. Tive que esperar passar e fiquei encharcado de pedidos e problemas.

Depois de me secar consegui, finalmente, atingir uma parcela do meu objetivo. Não abati nenhuma presa, mas ao menos colhi um cesto de frutos. Com a tarefa cumprida, relaxei e me distraí novamente, dessa vez com um grupo de macacos que macaqueavam sem parar pendurados na gigante árvore YouTube. Seus truques eram hilários e eu fiquei ali, acho, mais de uma hora assistindo.

O novo Porta dos Fundos tá imperdível, ri muito!


Terminado o espetáculo, resolvi partir em busca de algo mais substancial para levar à minha família. Foi quando me deparei com a monumental parede de pedra Facebook, onde todas as tribos da região gravam tudo o que lhes acontece. Tudo mesmo. Do que comeram de manhã até um mosquito que os perturbou. Li tudo, hipnotizado, e gravei com uma estaca a pequena história do meu dia até ali. 


 Tradução para o português: “hj meu dia foi fda e talz kkkkkkk!”


A próxima trilha ia por terrenos irregulares e lamacentos, mas que, depois de algumas webs de aranha pegajosas, davam em uma bela clareira. Não menos belas eram as amazonas seminuas me convidando para ver mais, uma tentação quase incontrolável de desviar do meu caminho. A essa altura, já tinha desistido da caçada e comido todas as frutas do cesto, mas me esforcei para não ceder àqueles encantos e segui.

Já conformado em voltar de mãos abanando à oca, resolvi mandar um recado à selva inteira. Subi em uma grande pedra e postei em alto e bom som o que pensava, sem gritar, deixando que as palavras ecoassem. Disse que me sentia mal e sozinho naquela floresta bizarra. Que gostaria de conviver mais com irmãos de outras tribos, que parassem de se esconder, e que podíamos mudar isso, juntos.

Qual não foi meu espanto quando ouvi o primeiro comment envenenado passar zunindo pelo meu ouvido direito. E outro, agora do lado esquerdo. Corri o mais rápido que pude, mas um dardo de dislike acertou meu braço. Não em cheio, apenas de raspão. Os arcos e zarabatanas das tribos rivais eram brutais, e seus donos farejavam meu sangue a uma tremenda distância. 

Um comentário... Corre!


Quando me safei da ira dos guerreiros comentadores, fiz um curativo simples com folhas de likes, que aliviou a dor da ferida. Olhei em redor e as coisas haviam se aquietado um pouco. Era uma boa hora para me recolher. Aquela selva havia me deixado exausto e terrivelmente sedento por um gole que fosse de realidade pura.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013


A lua alta no céu, cheia. Eu, na Terra, capaz das maiores atrocidades. Se isso é ser lobisomem, não é justa com a metade lobo, natural e instintiva, essa violência artificialmente inocente de mim. Mem. Ho-mem. Mas seu brilho é irresistível.

Insumo


Às vezes percebo
que todos percebem
que o sumo da vida
é um breve lampejo

E tenta-se obtê-lo
retê-lo, prendê-lo
na foto, no grito
no clique, no linque

Às vezes percebo
que todos se esquecem
que o insumo da vida
supera o desejo

É o grosso de tudo
a rocha
o tecido
a farinha
é o pão que se sova com as mãos

O sumo é o insumo

E pensam sabê-lo
de estalo
sem mínimo esforço
e o vendem
dizendo compartilhar
ao ignorar a partilha
do que há de mais puro

Suor
e bagaço

terça-feira, 18 de junho de 2013

Virou o tempo em SP

Manhã de segunda-feira cinza, fria e chuvosa. Nada de novo em São Paulo, até que outro santo, São Pedro, resolveu ajudar o povo paulistano limpando bem o céu da cidade à tarde, lá para as 17h, no dia 17 de junho de 2013. Caía a noite e a multidão que tomava o Largo da Batata, em Pinheiros, pôde ver estrelas e um enxame de helicópteros que, como abelhas ávidas, mas ordeiras, sobrevoavam o local, um a um, buscando registrar a história. A HISTÓRIA! Fontes "oficiais" falam em 65 mil pessoas se movimentando a partir dali, opostas ao aumento da tarifa de ônibus, de R$ 3,00 para R$ 3,20, mas o que vi, ouvi e senti me pareceu muito mais e POR muito mais.

Foi LINDO. Mas no dia seguinte, estou aprendendo algumas duras lições. Diferentemente da Primavera Árabe, o Inverno Brasileiro mostra que a gente ainda precisa lutar para lutar. É assim: agora, todo mundo quer entrar na dança e colocar na mesa certos clamores padronizados, partidários, conservadores e pessoais, que NADA têm a ver com o que brota, verdadeiramente, das ruas. Você, amigo que esteve ontem, quinta, terça e antes ocupando a cidade, já deve ter percebido uma miríade de pessoas na sua "timeline", gente que nunca moveu uma palha para mudar nada, te dizendo direta ou indiretamente (com imagens compostas no Paint) aquilo pelo que "parece mais apropriado" que você lute. Ora.

Assim, temos que lutar para continuar lutando pelo que lutamos. A definição, o foco, o ponteiro, tudo virá disso. Mas não é simples. Muitos, milhares, milhões ainda confiam nos meios tradicionais de comunicação para obter sua informação diária. Esse é um dos grandes perigos, já que os interesses midiático-corporativos também se somam às tais vozes divergentes para apontar como "se deve" protestar. Lutaremos para que a fonte mais confiável de informação seja o próximo, o companheiro, o amigo, ao vivo ou pelas redes eletrônicas, antes que elas sejam tomadas por patrulheiros chatos.

Lutaremos também para que não haja palanques eleitoreiros misturados nessa massa. Tenho visto mesmo políticos que EU ajudei a eleger dando uma de camaradas do povo, mas isso não me engana. Outros que também nunca conseguem se eleger estão correndo para dar às mãos na ciranda - aliás, uma só mão na ciranda, a outra empunhando bandeira. Cuidado com isso e, se for para votar em algum desses no ano que vem, conheça-o muito bem.

Outra luta importante - e vou parar nessa pois, afinal, estou aprendendo devagarinho e já estou começando a soar como se desse palavras de ordem (não é minha intenção) - é para evitar que saiamos disso tudo com a imagem de "rebeldes sem causa". Uma: não vamos "sair" disso, já que o processo apenas teve início. É mesmo um despertar, o abandono da inércia que uma infinidade de pessoas que vejo e ouço, ainda, entre uma garfada e outra no restaurante barato por quilo, sustentam em situação de conforto: "Deviam é ter protestado no mensalão... quando fomos escolhidos para a Copa... quando isso, se aquilo..." Chega! Encontraremos nosso Norte. Duas: causa temos sim! Não é suficiente estar inquieto e infeliz com a vida que se vive na cidade, em tantos sentidos?

De qualquer forma, só o que me parece ser legítimo, mesmo, genuíno, por mais "difuso" que os almofadinhas digam ser, é o que é dito nas ruas. Deixo aqui o meu apelo: rejeitem o que se tem falado no jornal, na TV, no Twitter e no Facebook e VÃO ÀS RUAS ouvir cada um dos clamores dessa "gente perdida". Lá, você vai encontrar a SUA voz e todas elas crescerão em uníssono, com cada vez menos violência, mais consciência e união. Não deem ouvidos ao colega reaça de trabalho que prefere "cuidar da sua própria vida" em vez de "fazer baderna". Estamos cuidando de nossas vidas, sim, tomando as rédeas dela, pela primeira vez.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Encontre o sujeito

O criminoso mata
a sociedade clama
o governo omite

O pobre rouba
o menor é cúmplice
a justiça é cega

O preto folga
o veado esnoba
a mulher que manda

O mercado exige
a gentalha grita
a arma cala

O Éden me chama
o inferno é dos outros
o dinheiro é meu

Onde está esse sujeito
que apontando
sem um verbo
nada faz?


O sujeito não se encontra
não se enxerga
não se vê

Representa-lhe o indeterminado
fica à mercê do oculto
e o simples que se dane
ou sujeite-se pra merecer

Antes fosse observador
está mais pra inexistente
mas presente no discurso
de um tempo virtual
e perigosamente
distante

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Struggle


I see struggle in every face
In the mirror I see struggle
But the struggle has no face

I see a mirror in your face
In the struggle I see mirrors
Though reflections do not struggle

I see a face in the mirror
In me I see you and one face
And I face the struggling truth

That is to be

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Café sem açúcar

A Thaís, minha mulher, que é adorável até quando está absurdamente preocupada, em um de nossos papos exaustos pré-sono (ou pré-noite-mal-dormida, já que ter um bebê de seis meses no quarto ao lado é para os fortes, como ela é), afirmou: "Não quero que nosso filho sofra, nunca". "Eu também não quero", respondi e retruquei, "mas ele vai sofrer, meu amor". Abracei-a.

É triste constatar que o sofrimento é algo inerentemente humano, mas busco proporcionar com esse texto um pequenino consolo, para mim e para todas as (duas?) pessoas que o lerem: o que significava sofrer antes que nomeássemos esse conjunto de sentimentos? É certo que havia o sofrimento, ele puro, sem a ideia dele, sem o nome. E é certo também que não era, assim como nunca foi, algo fixo, igual para todos os que o sentissem - é algo que se apresenta de um jeito diferente a cada vez, volátil, etéreo, assim como toda sensação.


Quero dizer, apenas, que as coisas pelas quais passamos na vida, as emoções que fazem o corpo vibrar, as alegrias, as desgraças e maravilhas, todas são o que são e o que tiverem de ser, sem a necessidade de as definirmos antes (ansiedade) ou depois (arrependimento, rancor) de as experimentarmos. Assim, quando nos esforçamos para evitar algo como sofrer, geramos apenas um atrito mais intenso do que o próprio sentimento; e quando ficamos remoendo algo que nos fez sofrer, idem.


Uma analogia que me veio de estalo (achei boa na hora, então melhor escrever antes que se torne besta) agora há pouco foi com a minha maneira de tomar café. Tomo sem açúcar. Você deve ter contorcido o rosto, eu entendo. É amargo. Mas ele há de ser! Não importa quanto adoçante coloque: lá no fundo da sua gartanta está o amargor, e tudo o que fiz foi aprender a gostar dessa bebida assim, como é, pra valer, diretamente nas minhas papilas gustativas.


Mas o que é que apreciamos, o amargo ou o doce? Será que a vida não aceita ambos, já que é tudo parte do que vivemos no dia a dia? Já que não lutamos contra o doce quando ele vem, por que batalhar com o amargo? Será que não temos a capacidade de permitir que tudo isso, que é humano, se manifeste e se disperse em nós? É a experiência direta, é viver a vida, a real.


Não estou dizendo que sofrer é uma delícia, mas que o sofrimento
só se concretiza quando a gente tenta evitar esse sentimento vago, antes sem nome, agora fixado na mente pela linguagem (o verbo sofrer). Mas, quanto mais você toma desse café escuro da vida, percebe que mesmo o amargo tem sabor. Uma hora ou outra você terá de enfrentar o amargor, e verá que ele passa. Deixe a amargura passar também.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Café secreto


Dormi quatro ou três horas, sei lá, foda-se! O importante é que o mundo ainda não acordou. Desço a escada pra fazer um café forte, um pingo de leite e aquela essência de baunilha que só se usa duas vezes por ano, num bolo ou doce que o valha. Uma delícia! Bem açucarado... porque o mundo ainda não acordou. (Que bom que não fumo mais. Como me fazia mal aquela bosta! Alguns relatariam essa cena com o fogo acendendo e um belo trago. Fodam-se! É gente que nunca saiu da fase oral) Não tem ninguém gritando, rindo ou chorando. Não é difícil manter o silêncio quando não se tem com quem conversar. Ah, o silêncio. O silêncio também é vida, porra! É mais vida que a barulheira da novela, o motoboy acelerando aquela merda, o cara com som alto no carro pra compensar o pau pequeno. O silêncio é do caralho! Aquela chata do trabalho deve tá dormindo, resmungando algo entre os dentes. Nem ela nem ninguém acordou! O café vai esfriando, mas que se foda, pois eu não tô fazendo nada. Tô fazendo tamanho nada que até esqueci um pouco do café, aquela caneca enorme, cheia. Tá bom até frio! Faço nada com um gosto que não tenho por muita coisa que faço fazendo. Nada! Nem o cachorro acordou. Fico olhando seu respiro preguiçoso, feliz por ele não latir ou fungar. Os passarinhos bem que tentam acordar o mundo, mas ele tá dormindo. Eu não. Até que ele desperta, mas eu já tava me conformando. Se o mundo não acordasse, eventualmente, esse meu café secreto, que pode durar minutos ou horas, não aconteceria. Pode acordar, mundo fodido! Agora eu já tô pronto pra você!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ladeira

Gosto de tirar as mãos do guidão
De descer na maciota
de costas
na contramão

De poder subir no busão
e cochilar
sem saber em que ponto vai dar

Gosto do tempo que faço
quando largo mão de contá-lo

Desgosto chorar quando riem
Mas não rio quando o fazem
Me compadeço

Estar ao contrário
inverso
do avesso e liberto
é estar exposto
vulnerável
aberto e só

E gosto

terça-feira, 17 de abril de 2012

Te encontrei a buscar
Permiti me encontrar
Descobri: não precisa

Você é agora
O que mais?

Vivi no antes
temi depois
perdi meu presente
hoje

Te quero sem nada
nó desatado
feliz num só
nós

quarta-feira, 21 de março de 2012

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O retorno de mim

Sou homem, ou pelo menos desejo ser
Não se pode ser o que não se almeja
Um assassino o é porque assim o quis
Um conde, um palhaço
todos anseios deles
mas tudo justificado
ou seria, se ao menos admitissem

Eu admito, pela primeira vez
que quero ser homem
mas já quis não querer

Confessando-o
de qualquer forma
me aproximo de Deus

É uma forma mesquinha
mas não hipócrita

Se quisesse ser Deus
Deus me faria homem
para que desejasse ser-me
desde o começo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Poema libertário

Liberdade
mera invenção de poetas

Se fomos livres, um dia
foi na poesia de Deus
num vago espaço infinito
de um céu sem corpo
pois este aqui é prisão
sim, quem diria?

Não há livre limite
e o limite é a nossa missão

Escrevo um poema libertário
e finjo que não
libertando, ao menos
minha doce imaginação

Liberdade

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Astronautas de Deus

Às vezes me sinto apenas parte
de um gigantesco mecanismo
no mais impecável caos

Astronauta de Deus
enviado para vasculhar o mundo
e nada mais

Esse uniforme hábil foi-me dado
não para destruir
nem impor ordem ao que não tem

Mas para tocar, cheirar, ver e ouvir
Degustar o que só pode ser sentido

E o sentido de tudo será sempre dúvida
no coração de quem ainda se importa
em saber

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Viva-nos!

Nossa paz está sempre por um fio
que nos liga ao concreto, ao real
ao injustificável sustento da ganância
(ou à ganância "sustentável", chega!)

A rotina é dura, mas é nossa criação
Há de se quebrar o ciclo no lugar mais impensável
justamente onde o elo é mais forte

Romper-se o motivo
Estourar-se o conforto
Renegar-se essa droga de dor aceitável

E viver-se!

Venha, meu amor
vamos pra dentro, não embora
pois estamos sempre a ir
e ir

Vamos vir e recolher
tudo o que de fato é nosso
pois só nos ensinaram a brigar pelo alheio
e isso a gente não quer!

sábado, 21 de agosto de 2010

Tudo

Nosso tempo é curto
pois nos temos como referência

Nosso espaço é finito
porque o somos

Se tivéssemos a grandeza de tudo
seríamos tudo o que poderíamos ser

Seríamos o tempo perpassando o mundo

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sonhos cinzentos

Temos sonhos cinzentos
que com um certo acabamento
terão a cor da vontade da mulher

Cinza no cerne
vermelhos de amor
e uma paz frio-azulada

Dores do parto do lar
doce lá

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um poço de mim

Se estivesse vazio
de onde viriam as lágrimas?

É que tenho ido pouco ao meu poço
deixo a cargo do excesso
a vazão disso tudo que sinto

Se buscasse com o balde da arte
um bocado daquele mistério
toda vez que nascesse

Beberia da essência um pouquinho
um gole que fosse, não importa
voltaria de mim a saber muito mais

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SeteS MeM InI MotionoitoM*

O corpo fala, a mente sente.

Os retraídos dizem tanto ao fugirem do movimento, esquivarem-se da externalidade de torcer o torso ou balançar os braços, num protesto silencioso e estaticamente inerte contra seus próprios anseios ocultos, desejo encerrado, libido embalada em razão.

Os extrovertidos, com energia extra e não menos sobejo desengonço, de tanto que querem falar acabam por abafar o raciocínio atrás de uma vaidade muscular, derrubando em êxtase a ideia de intimidade, distando dos próximos na vontade sôfrega de se aproximar.

O corpo fala, a mente sente.

E insistimos em verbalizar o que nunca foi preciso. Hoje sei que aquele porvir do beijo era beijo por vir e ficar, e agora conheço a tagarelice do amor: delata-me nervos, emos e ções, doces e quentes, sem proferir palavra.

Leio-te as entrelinhas de entreolhares, quero-te em suas linhas circulares, tenho-te no côncavo e convexo dos gestos que nos fazem e nos são. Sei-te agora, pois se antes te ouvia, hoje escuto. Se antes me parava, hoje me mexe, me move e comove - motor dos meus sonhos.

O corpo fala, a mente mente, e a alma em ação, enfim.

--
* Set me in motion.