É o que falo quando nosso Pedro, de 4 anos, está correndo e tentando olhar para os lados ou para trás. Porque há precedentes de quedas quando ele corre assim, sem foco.
Correr sem foco. E não é que às vezes um conselho simples que você dá ao seu filho volta com tudo e lhe dá um grande tapa na cara?
E, calma: longe de mim lançar mão de discursinho corporativo sobre concentração em metas e resultados. Nada disso.
Muito mais do que gostaríamos, fazemos isso metaforicamente, na vida. A ordem é apenas seguir em frente, essa ordem muda que nos comanda desde cedo. Então, a gente vai e apenas vai. Isso parece legal, mas não é. E pode ser a origem de muito sofrimento, decepção, descontentamento, depressão. A gente "só vai", mas com mil expectativas não assumidas. Quando batemos na parede da realidade, tudo cai por terra.
E o problema não é tanto de não saber o que nos espera. Não sabemos, mesmo. Não tudo, afinal, pois tem uma coisinha que, sim, podemos ter certeza de que vamos encontrar.
À frente está o presente.
O que se a|present|a diante de nós.
Não? E o que mais haveria de haver, na verdade?
Quando tentamos avançar sem observar o que esse 'agora' realmente é, caímos. E, veja, a ideia é apenas tentar. Se vamos saber no que o presente consiste, é outra pergunta sem resposta. O esforço sem-esforço de tentar notá-lo já é suficiente, pois nos mantém minimamente no momento atual.
O futuro não passa de uma imagem na cabeça. O passado, uma lembrança. Melhor entranhar esse saber já sabido e agir como se o passado não tivesse acontecido ao invés de ficar recordando o que é ido, bom ou mau.
Ao invés de correr na direção de algo imaginado, podemos correr sem imaginar nada, cortar o vento do presente, com velocidade total ou com cautela, vai do gosto. Olhar para a frente e viver o presente é a única segurança que podemos ter ao navegarmos por esse pretenso caos da vida/mundo que se desenrola nisso que insistimos em chamar de tempo.
Nada disso é fácil. E tentar seguir meu próprio conselho é algo que está em andamento, um trabalho em progresso. Mas é simples: um dia de cada vez, uma parte do dia de cada vez, uma hora por vez, minuto a minuto, se puder. A vida não para de se apresentar. E a gente não pode se furtar de algo tão urgente e novo a cada instante.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Apuros
cansei de estando
ou, ainda que sendo
não sendo, pois
sem ser
não rimo nem verbo
queria ser...
serpente!
deixar casca
e ir em frente
não siri
pondo na concha
por onde segui
ainda que transitivo
ou transitando
preciso ser diretivo
mais direto
menos rodeando
impeço o caminho
ao voltar pro ninho
construído no ar
mas quero sozinho
destruir a bolha
(tão fina)
que me faz correr
no lugar
com passos mais fortes
sentindo os apuros
suando os passados
sangrando os futuros
vou me presentar
--
Inspirou-me a esse texto essa beleza de música (dê play, sem medo):
"Cause where you see a wall, I see a door
Set up with no map, and turn off your torch
Cause where you see a wall, I see a door
You'll get through, you'll be home
You'll be home
Just sit still. Does it hurt?
Does it hurt?"
Set up with no map, and turn off your torch
Cause where you see a wall, I see a door
You'll get through, you'll be home
You'll be home
Just sit still. Does it hurt?
Does it hurt?"
~ A Wall - Bat for Lashes
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Uma nova espiritualidade
Nós gostaríamos de nos apresentar
Nós somos uma nova geração de desbravadores espirituais
Nós não precisamos mais de respostas de segunda mão
Nós não culpamos mais os outros por nosso sofrimento
Nossa espiritualidade vai além da culpa e castigo cósmicos
E além do pensamento 'nós e eles'
Nós não nos agarramos mais a livros sagrados
Pois todos os livros são sagrados
Nós não matamos em nome da verdade
Pois a verdade está em todo lugar
Nós estamos dispostos a enfrentar sem medo a experiência do presente
Sem conclusões e sem preconceito
Nua, como no dia em que nascemos
Abertos ao que vier
Nós não esperamos mais pela vida
Ou por alguma revelação divina no futuro
Porque nós vemos vida em tudo o que há
Incluindo a espera pela vida
E vemos Deus em tudo o que outrora rejeitamos
Nós não sonhamos mais em fugir
Ou com algum "Céu" perfeito
Pois nos aconchegamos na incerteza
E a dúvida já é nossa velha amiga
E o não saber é amado com carinho
E a imperfeição é profundamente sagrada para nós
O corpo está incluído
A mente não é a inimiga
Sentimentos são sagrados
A sexualidade é celebrada
Nós amamos a bagunça que é ser humano!
E nós finalmente entendemos
Que sabedoria e compaixão
Absoluto e relativo
Dualidade e não dualidade
Transcendência e imanência
Pessoal e impessoal
Humano e divino
Nunca estiveram separados
- Jeff Foster
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Aú
A lua alta no céu, cheia. Eu, na Terra, capaz das maiores atrocidades. Se isso é ser lobisomem, não é justa com a metade lobo, natural e instintiva, essa violência artificialmente inocente de mim. Mem. Ho-mem. Mas seu brilho é irresistível.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Virou o tempo em SP
Manhã de segunda-feira cinza, fria e chuvosa. Nada de novo em São Paulo, até que outro santo, São Pedro, resolveu ajudar o povo paulistano limpando bem o céu da cidade à tarde, lá para as 17h, no dia 17 de junho de 2013. Caía a noite e a multidão que tomava o Largo da Batata, em Pinheiros, pôde ver estrelas e um enxame de helicópteros que, como abelhas ávidas, mas ordeiras, sobrevoavam o local, um a um, buscando registrar a história. A HISTÓRIA! Fontes "oficiais" falam em 65 mil pessoas se movimentando a partir dali, opostas ao aumento da tarifa de ônibus, de R$ 3,00 para R$ 3,20, mas o que vi, ouvi e senti me pareceu muito mais e POR muito mais.
Foi LINDO. Mas no dia seguinte, estou aprendendo algumas duras lições. Diferentemente da Primavera Árabe, o Inverno Brasileiro mostra que a gente ainda precisa lutar para lutar. É assim: agora, todo mundo quer entrar na dança e colocar na mesa certos clamores padronizados, partidários, conservadores e pessoais, que NADA têm a ver com o que brota, verdadeiramente, das ruas. Você, amigo que esteve ontem, quinta, terça e antes ocupando a cidade, já deve ter percebido uma miríade de pessoas na sua "timeline", gente que nunca moveu uma palha para mudar nada, te dizendo direta ou indiretamente (com imagens compostas no Paint) aquilo pelo que "parece mais apropriado" que você lute. Ora.
Assim, temos que lutar para continuar lutando pelo que lutamos. A definição, o foco, o ponteiro, tudo virá disso. Mas não é simples. Muitos, milhares, milhões ainda confiam nos meios tradicionais de comunicação para obter sua informação diária. Esse é um dos grandes perigos, já que os interesses midiático-corporativos também se somam às tais vozes divergentes para apontar como "se deve" protestar. Lutaremos para que a fonte mais confiável de informação seja o próximo, o companheiro, o amigo, ao vivo ou pelas redes eletrônicas, antes que elas sejam tomadas por patrulheiros chatos.
Lutaremos também para que não haja palanques eleitoreiros misturados nessa massa. Tenho visto mesmo políticos que EU ajudei a eleger dando uma de camaradas do povo, mas isso não me engana. Outros que também nunca conseguem se eleger estão correndo para dar às mãos na ciranda - aliás, uma só mão na ciranda, a outra empunhando bandeira. Cuidado com isso e, se for para votar em algum desses no ano que vem, conheça-o muito bem.
Outra luta importante - e vou parar nessa pois, afinal, estou aprendendo devagarinho e já estou começando a soar como se desse palavras de ordem (não é minha intenção) - é para evitar que saiamos disso tudo com a imagem de "rebeldes sem causa". Uma: não vamos "sair" disso, já que o processo apenas teve início. É mesmo um despertar, o abandono da inércia que uma infinidade de pessoas que vejo e ouço, ainda, entre uma garfada e outra no restaurante barato por quilo, sustentam em situação de conforto: "Deviam é ter protestado no mensalão... quando fomos escolhidos para a Copa... quando isso, se aquilo..." Chega! Encontraremos nosso Norte. Duas: causa temos sim! Não é suficiente estar inquieto e infeliz com a vida que se vive na cidade, em tantos sentidos?
De qualquer forma, só o que me parece ser legítimo, mesmo, genuíno, por mais "difuso" que os almofadinhas digam ser, é o que é dito nas ruas. Deixo aqui o meu apelo: rejeitem o que se tem falado no jornal, na TV, no Twitter e no Facebook e VÃO ÀS RUAS ouvir cada um dos clamores dessa "gente perdida". Lá, você vai encontrar a SUA voz e todas elas crescerão em uníssono, com cada vez menos violência, mais consciência e união. Não deem ouvidos ao colega reaça de trabalho que prefere "cuidar da sua própria vida" em vez de "fazer baderna". Estamos cuidando de nossas vidas, sim, tomando as rédeas dela, pela primeira vez.
Foi LINDO. Mas no dia seguinte, estou aprendendo algumas duras lições. Diferentemente da Primavera Árabe, o Inverno Brasileiro mostra que a gente ainda precisa lutar para lutar. É assim: agora, todo mundo quer entrar na dança e colocar na mesa certos clamores padronizados, partidários, conservadores e pessoais, que NADA têm a ver com o que brota, verdadeiramente, das ruas. Você, amigo que esteve ontem, quinta, terça e antes ocupando a cidade, já deve ter percebido uma miríade de pessoas na sua "timeline", gente que nunca moveu uma palha para mudar nada, te dizendo direta ou indiretamente (com imagens compostas no Paint) aquilo pelo que "parece mais apropriado" que você lute. Ora.
Assim, temos que lutar para continuar lutando pelo que lutamos. A definição, o foco, o ponteiro, tudo virá disso. Mas não é simples. Muitos, milhares, milhões ainda confiam nos meios tradicionais de comunicação para obter sua informação diária. Esse é um dos grandes perigos, já que os interesses midiático-corporativos também se somam às tais vozes divergentes para apontar como "se deve" protestar. Lutaremos para que a fonte mais confiável de informação seja o próximo, o companheiro, o amigo, ao vivo ou pelas redes eletrônicas, antes que elas sejam tomadas por patrulheiros chatos.
Lutaremos também para que não haja palanques eleitoreiros misturados nessa massa. Tenho visto mesmo políticos que EU ajudei a eleger dando uma de camaradas do povo, mas isso não me engana. Outros que também nunca conseguem se eleger estão correndo para dar às mãos na ciranda - aliás, uma só mão na ciranda, a outra empunhando bandeira. Cuidado com isso e, se for para votar em algum desses no ano que vem, conheça-o muito bem.
Outra luta importante - e vou parar nessa pois, afinal, estou aprendendo devagarinho e já estou começando a soar como se desse palavras de ordem (não é minha intenção) - é para evitar que saiamos disso tudo com a imagem de "rebeldes sem causa". Uma: não vamos "sair" disso, já que o processo apenas teve início. É mesmo um despertar, o abandono da inércia que uma infinidade de pessoas que vejo e ouço, ainda, entre uma garfada e outra no restaurante barato por quilo, sustentam em situação de conforto: "Deviam é ter protestado no mensalão... quando fomos escolhidos para a Copa... quando isso, se aquilo..." Chega! Encontraremos nosso Norte. Duas: causa temos sim! Não é suficiente estar inquieto e infeliz com a vida que se vive na cidade, em tantos sentidos?
De qualquer forma, só o que me parece ser legítimo, mesmo, genuíno, por mais "difuso" que os almofadinhas digam ser, é o que é dito nas ruas. Deixo aqui o meu apelo: rejeitem o que se tem falado no jornal, na TV, no Twitter e no Facebook e VÃO ÀS RUAS ouvir cada um dos clamores dessa "gente perdida". Lá, você vai encontrar a SUA voz e todas elas crescerão em uníssono, com cada vez menos violência, mais consciência e união. Não deem ouvidos ao colega reaça de trabalho que prefere "cuidar da sua própria vida" em vez de "fazer baderna". Estamos cuidando de nossas vidas, sim, tomando as rédeas dela, pela primeira vez.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Sucessão
Sabe o que eu quero?
Uma quase sentença
sucedida de silêncio
Como em:
"Sabe o que..."
Não quero saber o que eu quero
Que o querer fique no ar
antes de ser
Nada do que eu quis
fiz
No meu querer
o fazer era diverso
e de nada importou que eu quisesse
Fiz como foi feito
Sabe o que eu queria?
Não sei, não sabia
não saberia
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Cascata
Atrás dessa feroz cascata
está meu corpo, seco e limpo
Em meio ao ruído ensurdecedor
estou eu, a meditar em silêncio
Sob escombros escabrosos
minha alma está pura, intacta
A pena que me escreve é leve
o sangue que me corre, bom
o tempo é um impasse, morto
e a vida que me mata
não
está meu corpo, seco e limpo
Em meio ao ruído ensurdecedor
estou eu, a meditar em silêncio
Sob escombros escabrosos
minha alma está pura, intacta
A pena que me escreve é leve
o sangue que me corre, bom
o tempo é um impasse, morto
e a vida que me mata
não
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Loteria
Milhões na fila
da loteria
e no bolso
o tostão do bilhete
Quem premia
quem frustraria
esse sonho
de fazer o quê?
Com tanto dinheiro
eu seria você
e não queria
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O Inca, a paz e a cidade
Não sou incapaz de nada
e isso me assusta
Sabe aquelas pessoas
que dizem "serem incapazes de..."
pois é, eu não
Não desejo ser portador
de tamanha mentira/hipocrisia
e com desejar, digo que sou capaz
mas não quero fazer tudo
o que minha capacidade permite
Tampouco me orgulho
de tudo o que fui capaz de fazer
e não me arrependo
nem do bom, nem do ruim
Ao menos sei do que fui capaz
e ainda sou
pois do que sou, sei que é tudo
do que serei, ah
pra isso tenho vontade à vontade
ou falta dela
e é disso que depende
esse negócio de capacidade
E o que eu quero é paz
não ser incapaz
pois não sou, de nada
mas me assusta
a incapacidade dos outros
de entender que não o são
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Brinque o Mundo (after work shower insight)
Talvez as crianças não assimilem bem a ideia de reza, da oração imposta por seus pais tementes a Deus, pois ainda creem (ou sabem) que o mundo já lhes deu tudo o que precisam. É assim, brincando o mundo, que agradecem por todas as bênçãos recebidas à vista, de uma só vez, já nesse curto período de existência terrena, segundo nossos apressados calendários. A esperança, então, já está implícita no simples saber: amanhã tem mais. Mais para explorar, conhecer, desfrutar, motivos pelos quais e para os quais o planeta foi feito!Crescer é, portanto, esquecer, ignorar, desconhecer que o mundo já é, já está, é nosso e de todos. O respeito por ele (e pelos seres que o habitam) acaba quando aquele ingênuo querer infantil torna-se o ávido cobiçar adulto, que em vez de nos afastar de um obstáculo que o mundo coloca diante de nós, como quem diz: "daqui não precisas passar", nos motiva a destruir, eliminar, erradicar a barreira, tida como um inimigo dessa infinita sanha. Ser adulto é deixar de brincar o mundo e passar a brigar com ele.
O resto é sabido: começa-se a destruir, construir, extrair, minerar, discriminar, limitar, excluir, acumular, roubar, agredir, matar, poluir, estuprar, fingir, quebrar, ter, ter, ter e ter, mais e mais, até que uma criança, afundada na amargura do mais profundo esquecimento, que luta para surgir diante de nós, chama nossa atenção em meio ao desespero provocado por nossa própria ganância, nos desperta para o que foi perdido. Vem a dor, a frustração, o pesar, a angústia, a doença... Não sabemos mais brincar, então fazemos o que nosso pequenino e antigo eu pede, em súplica: reza, ora.
Rezamos, oramos.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Lobo Bom
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Des/apercebido
O homem deixado à sua menteé homimado
e todo dia cria um novo mundo
Sem gente, só os cria/dores:
o outro, o diabo
ou diaboutro
e Deus à sua semelhança
ou dEUs
Só olha pra frente
pois claro
tem olhos pra fora
e pavor, escuro
de dentro
Mimetizando o mimo da mãe
ao protegê-lo do inimigo
aquém da ignorância
além do saber
Ele mesmo?
Seu pai.
Ou ele mesmo
Nós morremos por sorte
e Sócrates, na cicuta
sábado, 29 de agosto de 2009
Deslize
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Ascendescer
Quando criança, subir em árvores, aranhar-me entre os umbrais e trepar em brinquedos metálicos eram maneiras de superar a pequeneza infantil, almejar alturas espirituais pelo meio físico, aspirar lembrar-me, lá em cima, da verdade ainda fresca numa memória tão vasta. Mas essa pequeneza cresceu, com o tempo e a experiência, e hoje não há arranha-céu, viagem aérea ou espacial que a vença - sou homem, como todos, que deseja ser mais do que é e se torna inferior ao que sente.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Cadernices 2 - A Miríade do Imediato
Objeto da açãoafazer
objeção
abjeto
Empresa de esforço empreendido
só se aprende
a prender
E por que
ninguém pergunta
porque ninguém pergunta
por quê?
A miríade insentida de sentidos
sincera e sensata
inexata, descartada
E nessa vida inovada
o imperativo é automático
sem saída
e censura
Mas lhe parece óbvio
que me parece claro
que nos parece certo
que desaparecerá
--
A partir do próximo post tomarei vergonha na cara e não mais farei links para o rapidshare. Vou criar uma conta no internet archive, e haverá outra maneira de acessar meus mp3. Por enquanto, esse é baixável
-> AllanZi - Corinthians.mp3 (Rapidshare)
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Cadernices
Tenho negligenciado este blog deveras e hoje o farei novamente, porém, com uma postagem. Possuo um daqueles cadernos, sim, um caderno, de papel, com linhas impressas e uma espiral metálica, em que anoto certas digestões intelectuais/espirituais nos momentos mais criticamente tediosos e irritantes de determinados dias, quando existe a necessidade de autocontrole para que não se transforme em autoflagelo. Visto que a incidência destas circunstâncias é grande, como provavelmente o é para todos os "trabalhadores honestos" deste mundo, há bastante material... A qualidade é duvidosa, mas fingirei que a justificativa da publicação é estudar a mente criativa nessas situações. Portanto, finjamos ser esta uma investigação conjunta, em partes, e a primeira:--
Prefiro a viagem à chegada
e ainda que o momento de chegar houvesse
eu o atravessaria
mas não há
pois viajo
São todos tão seguros
e tão sábios em sua ignorância
assegurados pela sapiência
da ignorância alheia
Sou meu próprio deus maligno
e a causa de tudo sou eu
ainda que professe a fé de outrem
serei eu a professá-la
cale-se, por favor
O medo é o fruto do passado
em relação ao futuro
assim como tudo
no presente não há medo
e o presente é liberdade
assim como nada
As pessoas estão sempre
em contagem regressiva
sem nunca regressar da contagem
e se perdem sem perder-se
pois faltará sempre um
falta um, não dois
E ver o reflexo de um relfexo
que se oculta na opacidade de um meio
o ar, o éter, o vácuo, talvez
mas sempre um espaço observado
e observador
Na extensão da ação
um frio, um vazio
pois intencionada, simplesmente
sem interior, só razão
ou nem isso
e os extremos se esticam
na reta e na queda
parábola que vira círculo
que vira cárcere
que exclui o bom
externa o mau
Na percepção do movimento
está a soma e a subtração
a simultaneidade do sim
do saber e do ser
onde o será não foi
quando foi não será
e o medo não está
nem seria
--
Clipe novo do Radiohead. Bem "prafrentex", como costuma ser com esses rapazes. "Filmado" sem câmeras, apenas com scanners a laser... O primero videoclipe "escaneado"?
domingo, 27 de abril de 2008
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Falanãodiz
--
A Belle Zebou's é uma empresa de serviços diversos que atende orgulhosamente a comunidade há bem-vividos 25 anos, levando sempre o que existe de melhor neste mercado a seus clientes, respeitando sua inteligência e zelando sempre pelo conforto e satisfação máximos dos mesmos.
Sediada na cidade de São Paulo, terceira maior do mundo e o maior pólo econômico da América Latina, a Belle Zebou's estende por todo o Brasil sua prestigiada rede de escritórios comerciais, oferecendo, do Opiapoque ao Chuí, o mesmo alto padrão de qualidade em todos os seus ramos de atuação.
A recente inauguração de filiais em Buenos Aires, na Argentina, e em Santiago, no Chile, marcam o início de uma nova era de expansão e prosperidade da Belle Zebou's, e indica um prognóstico em que o céu é o limite: os próximos passos são Miami e Vancouver, nos EUA e Canadá, respectivamente.
Com uma preponderante visão de todo holística, valor inegável para uma instituição idônea, que tem na realização lúdico-empreendedora uma garantia de criatividade e qualidade agregadas a seus produtos, sempre com respeito máximo pelo gosto do cliente, a Belle Zebou's lança agora o projeto:
Com mais de 150 colaboradores trabalhando integralmente para sua existência, o Relife promove o bem-estar e a renovação da vida por meio de alternativas sustentáveis de reaproveitamento e reintegração de recursos/pessoas para a reabilitação de um estilo de vida mais digno, responsável e ecologicamente correto.
Além de preocupar-se constantemente com o planeta, a Belle Zebou's busca utilizar sempre tecnologia de ponta, o que transforma as dependências de todas as filiais da empresa em ambientes micro-customizados, e faz seus frequentadores respirarem inovação e segurança infra-estrutural.
É com grande felicidade que a Belle Zebou's espera recebê-lo (a) brevemente em um de nossos escritórios, que carinhosamente chamamos de casa, na esperança de fazer grandes negócios para gerar e gerir sorrisos em uma constante corrente de prosperidade para nossa sociedade, para esta e, com certeza, as gerações vindouras. Seja bem-vindo (a)!
--
Karmacoma - Massive Attack
A Belle Zebou's é uma empresa de serviços diversos que atende orgulhosamente a comunidade há bem-vividos 25 anos, levando sempre o que existe de melhor neste mercado a seus clientes, respeitando sua inteligência e zelando sempre pelo conforto e satisfação máximos dos mesmos.
Sediada na cidade de São Paulo, terceira maior do mundo e o maior pólo econômico da América Latina, a Belle Zebou's estende por todo o Brasil sua prestigiada rede de escritórios comerciais, oferecendo, do Opiapoque ao Chuí, o mesmo alto padrão de qualidade em todos os seus ramos de atuação.
A recente inauguração de filiais em Buenos Aires, na Argentina, e em Santiago, no Chile, marcam o início de uma nova era de expansão e prosperidade da Belle Zebou's, e indica um prognóstico em que o céu é o limite: os próximos passos são Miami e Vancouver, nos EUA e Canadá, respectivamente.
Com uma preponderante visão de todo holística, valor inegável para uma instituição idônea, que tem na realização lúdico-empreendedora uma garantia de criatividade e qualidade agregadas a seus produtos, sempre com respeito máximo pelo gosto do cliente, a Belle Zebou's lança agora o projeto:
RELIFE
o maior investimento em Responsabilidade Socioambiental já realizado na história.
Com mais de 150 colaboradores trabalhando integralmente para sua existência, o Relife promove o bem-estar e a renovação da vida por meio de alternativas sustentáveis de reaproveitamento e reintegração de recursos/pessoas para a reabilitação de um estilo de vida mais digno, responsável e ecologicamente correto.
Além de preocupar-se constantemente com o planeta, a Belle Zebou's busca utilizar sempre tecnologia de ponta, o que transforma as dependências de todas as filiais da empresa em ambientes micro-customizados, e faz seus frequentadores respirarem inovação e segurança infra-estrutural.
É com grande felicidade que a Belle Zebou's espera recebê-lo (a) brevemente em um de nossos escritórios, que carinhosamente chamamos de casa, na esperança de fazer grandes negócios para gerar e gerir sorrisos em uma constante corrente de prosperidade para nossa sociedade, para esta e, com certeza, as gerações vindouras. Seja bem-vindo (a)!
--
Karmacoma - Massive Attack
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Amoribundo (Menino-Mor)
É a primeira vez que vou colocar aqui texto de outrem, mas com uma série de justificativas que com certeza não são necessárias. Se quiserem, caros não-leitores, refletirem sobre o texto sem as minhas ponderações, talvez seja até mais apropriado, por isso haverá um espaço entre este parágrafo e os três que seguem antes do texto em questão.
--
Eu gostei de lê-lo com rapidez, com a velocidade provável em que foi escrito. Não é questão de ser negligente em relação aos detalhes, mas uma forma de me aproximar da freqüência de raciocínio do autor, o que é em parte o motivo porque alguns, como eu, gostam de ler Saramago. Sim, é claro que são pensamentos despretensiosos, deprovidos de apuro em sua oralidade informal e ansiosa, mas não tira a tristeza e a beleza do desespero de um jovem amor.
Em segundo lugar, alguém ainda precisa me explicar o que é a verdadeira motivação artística. Sem dizer se o texto que segue é arte ou não, já desembucho que ele não é, com certeza, uma pretensão artística. É, ao contrário, uma modéstia não-artística com forma de carta de amor e disfarçada de pretensão artística, o que pode ser uma motivação artística, claro, na minha humilde opinião.
Por último, mas não menos importante, é sempre bom ver uma foto, um instantâneo da juventude, ainda que local. Pois não só são sentimentos complexos e confusos, sem dúvida verdadeiros, que todos nós temos inegavelmente, mas desenham a geografia do arquipélago que a humanidade está se tornando, um arquipélago no entanto incomum: somos, por nossa própria vontade reforçada por séculos, ilhas flutuantes. Sabemos que não é mais possível integrarmo-nos ao continente, mas ainda temos a habilidade, ou mesmo sorte, de nos chocar contra outras ilhas, sem poder evitar, é claro, o efeito do impacto, separação. Chamo esses choques de amor.
--
Um pensamento, um acontecimento, uma realidade, uma vida, uma reação, uma filosofia,
O amor!
Amar é um sentimento que vai além da nossa imaginação saber que você ama uma pessoa e não ter ela do seu lado é como sua vida não tivesse sentido simplesmente não ter forças para conseguir lutar por você.
Amar? Nunca imaginei que seria uma coisa tão boa mais ao mesmo tempo tão ruim, acredito que tudo vem para nosso aprendizado, mais porque tudo tem que ser como de todo mundo, porque não fazer a diferença, acreditar naquilo, lutar para acontecer, suponho que quem ama luta por aquilo que quer, mais há várias circunstancias, não podemos fazer a pessoa te amar, simplesmente a deixamos ir e ser feliz, mais a dor é muito grande de vez em quando não há forças, tento mais não tenho, creio que vai passar, mais quando penso, pronto já voltou tudo de novo, tenho medo que isso não acabe, vou lutar para sobreviver, aliás, é só amor, o que tem de tão complicado nisso.
Eu posso dizer e passar para frente, que as pessoas acreditem no amor, pois ele existe e como existe, não espere, não se torture, ele vem, mais tem que ter a cabeça no lugar para que possamos lidar com ele, não digo que é complicado.
Não ter a pessoa que você ama do seu lado e não se ver longe dela, mais acredito que ela estará feliz isso já me deixa bem, passarei por novos amores, mais concerteza nunca vou esquecer meu primeiro amor, um amor verdadeiro, um amor que não tem como explicar, só sentindo na alma, no coração, no pensamento.
O amor é simples coisa que qualquer pessoa senti.
O amor é você olhar para outro olho no olho e dizer eu te amo, olhar no fundo dos olhos e dizer eu te amo, abraçar e dizer eu te amo, sentir o calor dos corpos e dizer eu te amor, sentir a sintonia dos espíritos, a energia, dormir, tomar banho, acordar do lado, comer juntos, conversar, beijar, amar, coisas tão pequenas que muitas pessoas não observam, são dessas coisas pequenas que cria uma coisa muito grande.
Quando você ama você acredita naquilo, você quer aquilo e simplesmente não acontece, o que fazer?, O que falar? Que atitude tomar. Só uma pessoa para dizer isso, você mesmo, seu coração ele vai falar o que fazer, como agir.
Não se arrependa de nada e lute para isso acontecer que é a coisa mais linda do mundo e como é linda, seria como as horas não passasse o tempo parasse, como se estivesse na lua, em outro mundo, é uma coisa absurda de tão bom que é, coração mais leve, tudo fluindo, você só quer amar, amar, amar, amar e amar.
Eu acredito nisso, vou lutar para isso, vai acontecer, vai ser tornar realidade, vou me sentir amado,vou fazer a diferença, vou amar, vou sonhar, vou te amar...............sempre..............
Luigi Campigotto 22/09/2007
--
Eu gostei de lê-lo com rapidez, com a velocidade provável em que foi escrito. Não é questão de ser negligente em relação aos detalhes, mas uma forma de me aproximar da freqüência de raciocínio do autor, o que é em parte o motivo porque alguns, como eu, gostam de ler Saramago. Sim, é claro que são pensamentos despretensiosos, deprovidos de apuro em sua oralidade informal e ansiosa, mas não tira a tristeza e a beleza do desespero de um jovem amor.
Em segundo lugar, alguém ainda precisa me explicar o que é a verdadeira motivação artística. Sem dizer se o texto que segue é arte ou não, já desembucho que ele não é, com certeza, uma pretensão artística. É, ao contrário, uma modéstia não-artística com forma de carta de amor e disfarçada de pretensão artística, o que pode ser uma motivação artística, claro, na minha humilde opinião.
Por último, mas não menos importante, é sempre bom ver uma foto, um instantâneo da juventude, ainda que local. Pois não só são sentimentos complexos e confusos, sem dúvida verdadeiros, que todos nós temos inegavelmente, mas desenham a geografia do arquipélago que a humanidade está se tornando, um arquipélago no entanto incomum: somos, por nossa própria vontade reforçada por séculos, ilhas flutuantes. Sabemos que não é mais possível integrarmo-nos ao continente, mas ainda temos a habilidade, ou mesmo sorte, de nos chocar contra outras ilhas, sem poder evitar, é claro, o efeito do impacto, separação. Chamo esses choques de amor.
--
Um pensamento, um acontecimento, uma realidade, uma vida, uma reação, uma filosofia,
O amor!
Amar é um sentimento que vai além da nossa imaginação saber que você ama uma pessoa e não ter ela do seu lado é como sua vida não tivesse sentido simplesmente não ter forças para conseguir lutar por você.
Amar? Nunca imaginei que seria uma coisa tão boa mais ao mesmo tempo tão ruim, acredito que tudo vem para nosso aprendizado, mais porque tudo tem que ser como de todo mundo, porque não fazer a diferença, acreditar naquilo, lutar para acontecer, suponho que quem ama luta por aquilo que quer, mais há várias circunstancias, não podemos fazer a pessoa te amar, simplesmente a deixamos ir e ser feliz, mais a dor é muito grande de vez em quando não há forças, tento mais não tenho, creio que vai passar, mais quando penso, pronto já voltou tudo de novo, tenho medo que isso não acabe, vou lutar para sobreviver, aliás, é só amor, o que tem de tão complicado nisso.
Eu posso dizer e passar para frente, que as pessoas acreditem no amor, pois ele existe e como existe, não espere, não se torture, ele vem, mais tem que ter a cabeça no lugar para que possamos lidar com ele, não digo que é complicado.
Não ter a pessoa que você ama do seu lado e não se ver longe dela, mais acredito que ela estará feliz isso já me deixa bem, passarei por novos amores, mais concerteza nunca vou esquecer meu primeiro amor, um amor verdadeiro, um amor que não tem como explicar, só sentindo na alma, no coração, no pensamento.
O amor é simples coisa que qualquer pessoa senti.
O amor é você olhar para outro olho no olho e dizer eu te amo, olhar no fundo dos olhos e dizer eu te amo, abraçar e dizer eu te amo, sentir o calor dos corpos e dizer eu te amor, sentir a sintonia dos espíritos, a energia, dormir, tomar banho, acordar do lado, comer juntos, conversar, beijar, amar, coisas tão pequenas que muitas pessoas não observam, são dessas coisas pequenas que cria uma coisa muito grande.
Quando você ama você acredita naquilo, você quer aquilo e simplesmente não acontece, o que fazer?, O que falar? Que atitude tomar. Só uma pessoa para dizer isso, você mesmo, seu coração ele vai falar o que fazer, como agir.
Não se arrependa de nada e lute para isso acontecer que é a coisa mais linda do mundo e como é linda, seria como as horas não passasse o tempo parasse, como se estivesse na lua, em outro mundo, é uma coisa absurda de tão bom que é, coração mais leve, tudo fluindo, você só quer amar, amar, amar, amar e amar.
Eu acredito nisso, vou lutar para isso, vai acontecer, vai ser tornar realidade, vou me sentir amado,vou fazer a diferença, vou amar, vou sonhar, vou te amar...............sempre..............
Luigi Campigotto 22/09/2007
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Não dá
Agora eu queria começar a escrever. Ia comentar o último livro que li, quantas idéias interessantes... não posso mais escrever. Tocou o telefone, era um vendedor que sabia o meu nome, ele me disse que a oportunidade que ele tinha reservada especialmente para mim era única, imperdível, é uma coleção dos maiores best-sellers de todos os tempos, eu pagaria por eles em prestações levíssimas no cartão de crédito, falei que pensaria a respeito, afinal todo mundo já leu, não sei se quero ficar de fora. Eu ia até tentar escrever. Estava com um pensamento bastante fértil na cabeça, sobre originalidade e o contrário dela, como tudo hoje em dia é reproduzido em massa... não posso mais escrever. Deixei a televisão ligada, está passando uma matéria que me chamou tanto a atenção, sobre um artista famoso da antiguidade que vai ter suas obras estampadas em camisetas e bonés, tudo em prol das crianças do Camboja que passam fome, parece que foi idéia de um estilista bastante conceituado na sociedade, que já pintou quadros nas ruas da Europa, passou dificuldades financeiras em sua juventude, fico pensando se não seria essa uma nova forma para a arte, que funciona, uma coisa tão acessível e ainda por cima com um propósito tão bonito, será que eu quero ser mesmo artista, pois não me vêm essas idéias inovadoras à cabeça, devia expandir os meus horizontes, como a própria personalidade que fala na televisão diz que todos têm de fazer. Será que vou ter tempo de escrever, ainda? Tantas vozes gritando dentro de mim desde o sonho que tive na noite passada, alguém me dizia para ficar de olhos abertos para a manipulação, outra voz falou em escravidão, isso seria material interessante para um texto... não posso mais escrever. Lembro-me, agora, tenho que procurar emprego, pois o dinheiro que ando ganhando não é digno, nem suficiente, nem o jeito como eu o gasto é bom, eu não trabalho o montante de horas necessárias e nem tenho um emprego direito e justo para poder comprar as coisas que o vendedor do telefonema me disse que preciso ter, fora que o trabalho enobrece o homem e ando me sentindo tão longe da nobreza, estaria mais perto dela com um terno e uma gravata, há empresas com propostas tão claras para melhorar a vida das pessoas, eu devia trabalhar numa delas ao invés de ficar me masturbando com esse suposto trabalho, afinal, não pode ser considerado trabalho algo que me deixa aí solto para fazer meus próprios horários e as coisas que eu gosto, poder falar das que eu não gosto, isso seria muito egoísmo, ninguém tem o direito de ficar fazendo seus próprios horários enquanto os outros ralam o dia inteiro, não têm tempo nem para pensar, comer, ver os amigos e a família, os filhos, respirar, se comunicar, amar, ler, ir ao cinema, ao teatro, estudar, e desmaiam em suas camas, à noite, pois ir dormir simplesmente quando se está com sono é realmente coisa de vagabundo. Mas será possível? Tenho tanta coisa importante para me preocupar que não estou conseguindo escrever! Queria falar do amor, das mulheres, hoje conversei com uma garota linda no ponto de ônibus, ela veio me pedir uma informação sobre o itinerário e acabamos trocando umas palavrinhas, ela é muito inteligente, gosta de poesia, estava indo para a faculdade (ela faz o curso de letras) fiquei extasiado, e que graça ela tem, que olhar interessante, pena que não pude conversar mais com ela, foi tão rápido, o ônibus dela passou e... não posso mais escrever. Não posso, imagine, daqui a pouco estou com 30 anos, preciso me casar, dividir meus bens com uma mulher, não precisa ser uma mulher incrível, só alguma que satisfaça por um tempo as minhas necessidades fisiológicas, lave minhas roupas com amaciante, faça uma comidinha gostosa, seja simpática, hora ou outra ela me dá um ou mais herdeiros, como na vida normal, assim, como deve ser, a gente vai poder exibi-los nas festinhas dos nossos queridos amigos, vou adorar elogiar os filhos deles, apesar de eu achar aquele ali um pouco mimado, mas, bom, ele tem o direito de ter tudo aquilo que os pais ralaram a vida inteira para dar a ele, tantos brinquedos caros, escola particular, isso é que é uma criança de sorte, não precisa ter contato com aquelas pobres e desgraçadas crianças do Camboja, ou mesmo as daqui, elas vão crescer seguras num condomínio fechado, ah, como é bom poder ter um pouco de paz, apesar de que vai haver muitas brigas no meu casamento, provavelmente, dependendo da mulher e do meu estado de espírito (ela pode ter olhado diferente para aquele meu amigo cafajeste, será que ela está me traindo?) podem até ser aquelas de quebrar coisas, quando os vizinhos chamam a polícia, mas taí uma coisa perfeitamente normal numa relação homem/mulher, é melhor do que ficar por aí solteirão, não pega bem. Juro que estou tentando escrever. Imaginei uma tirada cômica qualquer, alguma paródia da vida cotidiana, algo que fizesse o mais duro dos homens rir, mas ao mesmo tempo estou checando meu correio eletrônico, um amigo enviou-me uma montagem hilária de fotos, estão tirando sarro de uma mulher gorda que tenta entrar num carro pequeno, há, há, há, mal consigo me conter, que pretensão a minha querer escrever algo cômico, já tem tanta gente criativa por aí, olha só, tem outro, meio pornográfico, um rapaz tentando convencer uma garota a praticar sexo oral com uma sacada tão perspicaz, há, há, há, estou até chorando de rir, isso é que é humor, eu devia mesmo era criar uma página na internet para mostrar esse tipo de coisa, todas as minhas besteiras, talvez eu fique até famoso por isso, quem sabe, essa era da informação dá tanta liberdade para as pessoas se expressarem, como nesses blogs, é isso, um diário público “virtual”, seria tão prático, eu não ia precisar me preocupar tanto em escrever, seria só colocar o que aconteceu no meu dia, praticamente uma crônica cotidiana pessoal, isso sim é democracia, todo mundo tem seu espaço na grande teia mundial. Até comecei a esboçar umas linhas, mas, ah, tanta coisa para pensar, tantos projetos de vida. Nem sei se quero mais escrever, acho que quero, mas está ficando tarde, afinal de contas, escrever não vai me levar a lugar algum, ninguém vai ler, mesmo, o que vale é meu sucesso individual, o progresso de cada um, preciso comprar um lugar só meu, preciso chamar tantas coisas de “só minhas”, isso é que é importante, progredir na vida, vencer, tem gente que não vê isso, era sobre elas que eu queria escrever, na verdade, sobre essas pessoas medíocres que não aprendem nada, não sabem aproveitar o dia, a vida! Eu bem sei, mas estou vendo que hoje não vou poder escrever.AllanZi - 17/09/2003
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