terça-feira, 21 de maio de 2013

Encontre o sujeito

O criminoso mata
a sociedade clama
o governo omite

O pobre rouba
o menor é cúmplice
a justiça é cega

O preto folga
o veado esnoba
a mulher que manda

O mercado exige
a gentalha grita
a arma cala

O Éden me chama
o inferno é dos outros
o dinheiro é meu

Onde está esse sujeito
que apontando
sem um verbo
nada faz?


O sujeito não se encontra
não se enxerga
não se vê

Representa-lhe o indeterminado
fica à mercê do oculto
e o simples que se dane
ou sujeite-se pra merecer

Antes fosse observador
está mais pra inexistente
mas presente no discurso
de um tempo virtual
e perigosamente
distante

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Não é a mamãe


Ser pai é foda. Nos dois sentidos. Só é menos foda, em ambos, quando o cara insiste em imitar o pai que foi seu avô ou bisavô: provedor distante, incapaz de afeto, filhopata sentado à ponta da mesa de jantar ordenando que lhe "passem as batatas". No mais, ser pai, principalmente de um bebê, é muito foda, e não tem mais lugar praquele tipo de figura paterna arcaica, a que deu vulto ao execrável patriarcado – tiozão que não sabe trocar uma fralda. Hoje, a gente tem mesmo que se desdobrar para aprender um monte de coisas que ninguém fez questão de nos ensinar, já que tem muita mãe machista por aí que prepara os filhotes na escola da tirania. Não foi o meu caso, mas os ecos disso tão por aí, na novela, na propaganda, nos Felicianos do Brasil. Não vem ao caso.

Mas também não é o caso do extremo oposto. Juro que fiquei tentado a ser esse pai fofíssimo da leva new wave de pais que, desculpem, só existem nos contos de fada hipsters: querem ser mães, dizem-se quase mães, sentem-se como um bizarro protótipo de mãe sem peito para aleitar. Mas não são! Você tem a sua cotinha de dar conforto, de aliviar uma cólica ou outra, de fazer dormir um dia aqui, outro ali. São todas pequenas conquistas que nos fazem pensar: "Porra, sou foda!" Ser pai é foda, mas você não é, não. A mãe é. Esses momentos mágicos só vão rolar quando o pimpolho ou pimpolha estiver nas últimas forças, sem energia sequer pra fazer o que sabe melhor: dizer, com seu corpo, gestos e choro que "não é a mamãe". 

É, amigo, acostume-se, pois você não é mesmo! É pai! Eu me senti meio fora da brincadeira, que de brincadeira não tem nada, nos primeiros meses. Por mais que eu quisesse me mostrar ali, disposto, “vamo que vamo”, é a companheira que resolve a maioria dos perrengues diretos com o bichinho. Afinal, ele quer estar muito mais em contato com aquela deusa maravilhosa que o gerou, não com esse maluco peludo! Você vai fazer compressa e mamadeira no meio da noite, sim, vai correr pra comprar papinha no mercado, dar uns banhos catastróficos e fazer uns rolês impensáveis no decorrer do percurso. Mas aquele milagrinho berra pela sua progenitora, sempre!

E não me venham com essa de "pai grávido". Ainda que eu curta alguns posts do blog de um famoso pai X-Men, autor de um livro que descreve um pouco o conceito mencionado, não é assim que acontece na maioria dos casos. Pode ter um ou outro que passe mal durante a gravidez (da companheira), mas há grandes chances de ser só ansiedade. Eu passei mal de tanta dor nas costas, mas tenho certeza que a minha esposa teve muito mais disso do que eu.

Não tô aqui impedindo ninguém de ser fofo, só que isso vai soar meio falso, às vezes, não natural. Agora, ser carinhoso, terno e bondoso com o seu filho, não é opção, é obrigação! Mas é nesse momento que a gente aprende a não esperar nada em troca, já que, quando a chapa esquentar, o nenê quer é mamar. E não pense que esse lance de ser pai 2.0 (3.0? Onde estamos, mesmo, nessa contagem?), consciente do seu lugar na criação da cria, tem muitas regalias. Lembra que a gente abriu mão de ser aquele Darth Vader, em uma galáxia muito, muito distante? Pois bem, agora você tá sempre tão próximo que vai ouvir um monte se resolver tomar aquela cervejinha com "os caras" e passar um pouco da hora. Experimenta!

Acabei de ir lá fazer uma inalação no garoto. O Pedro tem 11 meses e só agora eu sinto que a nossa conexão tá começando a acontecer. Ele sorri quando eu chego em casa e gosta de me ouvir tocar violão, dançando, todo animado. As viradas de tempo são cruéis com os bebês e o peito dele tá com um gatinho miando de novo. Mas adivinha quem tava lá, fazendo ele dormir e dormindo junto, de tão cansada? A mamãe. A Thaís é a melhor companheira do mundo, é claro, e eu sou seu aprendiz na jornada que é o crescimento do Pedrinho. No fim das contas, você não é pai: vai se tornando, bem devagarinho, como um útero externo de onde se estende um novo cordão, invisível. Eu não tenho um útero de verdade, então, pro meu pequeno me conhecer por dentro, ele precisa que eu me mostre, assim mesmo, toscão, verdadeiro, do mesmo jeito que eu virei marido. Ser marido é foda. Mas esse já é outro papo.

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Allan Zaarour é jornalista, músico e blogueiro ocasional. Pai do Pedro e marido da Thaís, vai aprendendo com os tropeços e escrevendo sobre eles.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Religare

Este post será bem direto e reto. O caro desleitor já deve ter se confrontado com as seguintes questões: "Você tem religião?/Você foi batizado?" "Você acredita em Deus?" "Você acredita em quê?" - e assim por diante, o que, conforme a resposta, vem acompanhado de certas expressões faciais de aprovação/desaprovação, surpresa, estranheza, etc. Afinal, vemos o outro pelo filtro de nossas ideias, crenças e descrenças, e a coisa fica muito mais sensível quando alguém segue determinada doutrina, culto, disciplina - algo que soa verdadeiro para aquela pessoa e que ela sente valer a pena ser seguido.

Sobre a origem da palavra, encontrei esse curto post e achei interessante.

E é só. Mas se posso apenas comentar isso, sem entrar em papos linguísticos, a "falsa etimologia" é mais legal que a explicação oficial, no fim das contas, pois a ideia de "religação" também pode ser aplicada a grupos, a um agrupamento de pessoas dentro da mesma fé. O som de "religião", para mim, sempre remeteu a "reunião".

E assim, volto para a minha primeira experiência, ou uma das primeiras, nesse campo. Tinha uns nove anos quando ia de carro com alguns amigos da mesma idade para algum lugar - ao volante, a mãe de um deles, que solta a pergunta: "E você, Allan, não vai se batizar e fazer primeira comunhão?" O tom não era exatamente de reprovação ou ameaça, mas havia gravidade nas palavras, algo de austero. A tradução disso na minha mente em desenvolvimento foi: "Ai, caramba, será que eu vou ficar sem amigos se não frequentar o 'catecismo'? Será que só eu não terei religião? Será que Deus vai me castigar?"

Esse tipo de constrangimento era comum justamente na época em que amiguinhos estavam prestes a passar pela tal da comunhão. Olhando para esses mesmos amigos hoje, uns mais, outros menos próximos de mim, vejo que esse rito católico de passagem não os tornou mais ou menos religiosos. O que observo em muitos é que o mero fato de "ser" católico parece lhes garantir uns pontos com Deus, evitando que Seu castigo recaia sobre eles, mesmo que cometam os mais variados pecados. O pensamento dessa grande maioria de cristãos "não praticantes" é, mais ou menos: "Não vou à igreja, mas fui batizado e comunguei, estou coberto, a salvo!" E parou por aí a experiência religiosa dessas pessoas: procurem o significado de comunhão no dicionário e vejam que o ritual não mudou muito suas vidas e a maneira de se relacionar com o próximo.

Outros cristãos, os evangélicos, tendem a ser muito mais ativos dentro e fora de seus grupos e a euforia com que participam das reuniões e também com que externam sua fé aos não iniciados tem se espalhado com grande velocidade pelo Brasil. Essa paixão costuma se intensificar quando são mostrados exemplos que se livraram de inúmeras mazelas por meio de milagres e outros frutos da sua crença. O estigma "crente", inclusive, é atribuído a eles sem que se pense muito a respeito, a ponto de uma criança se dizer crente apenas por que o pai o é, não tendo ainda discernimento para acreditar ou não no que dizem as escrituras sagradas. O levante evangélico tem estendido o poder de pastores à esfera política (e a um papel moralizante), mas não vou entrar nesse mérito pois esse é apenas um devaneio que vai culminar nas minhas próprias escolhas religiosas. Aguardem!

O ateísmo merece um capítulo à parte. Não sei se é apenas a minha percepção, mas noto nos diversos canais internéticos um esforço grande para consolidar o conceito do "que é ser ateu" e, mais ainda, gerar embate direto com quase todas as religiões. O ateu moderno é uma espécie de anti-Deus e anti-religião, vítima de uma sociedade cristã, mas não está atento ao fato de se aproximar do que fazem todas as religiões: unir pessoas em torno de uma crença. Afinal, é preciso acreditar na não existência de Deus, não? Passando por alguns vídeos no YouTube e fóruns que pregam o ateísmo, vê-se que há muito ceticismo e exaltação do rigor científico para explicar o mundo, e há também um tipo de paternalismo sobre as religiões. "São todos ignorantes, como crianças, precisamos mostrar a verdade, que Deus é uma farsa!" Novamente, pode ser só a minha torpe imaginação, mas me parece que essas pessoas querem justificar com a inexistência de Deus sua própria tristeza e solidão - sua "não religião", seu desligamento e desconexão. A realidade dura do dia a dia parece ser mais fácil de aceitar se for resultado apenas de reações químicas, união aleatória de moléculas e explicações afins para a vida.

Pessoas que optam por seguir religiões de origem africana sofrem certo preconceito, pois a mística envolvida nos rituais soa meio "satânica" à maioria dos cristãos. Tenho pouquíssimo conhecimento nessa área e, assim, não vou reforçar esse preconceito. A comunidade espírita, por sua vez, tem aumentado, e a presença do tema em filmes popularizou a religião; uns dizem não ser religião, assim como algumas correntes "racionalistas" e "cósmicas" exaltam a ciência e misturam tudo num grande caldeirão. Esse parágrafo foi só pra não dizer que não falei desses temas, pois me deu certa preguiça, admito.

Não sou batizado em nenhuma religião. Muitas vezes, respondi àquelas mães de amigos catequizados que minha família preferiu me dar a liberdade de escolher o que eu quisesse seguir. Assim foi! Hoje leio, assisto e ouço muitos professores e guias espirituais e não escondo ser atraído por linhas mais pro lado oriental do pensamento. Está na modinha, eu sei, ser budista e seus derivados, ir à Índia e "descobrir-se", meditar e exercitar o espírito com mantras e práticas de transcendência. Não é o meu caso. O que todos os espiritualistas que li parecem ter em comum, o que me interessa mesmo nesse tipo de ensinamento, é um chamado para ASSUMIR A RESPONSABILIDADE pela sua vida - não entregar "a Deus" o seu caminho, não atribuir ao destino tudo o que lhe acontece, mas entender que você é TUDO o que há. Assim, em você está a guerra e a paz, a raiva, a calma, tudo o que você quer para você e critica nos outros - portanto nosso pensamento e nossas ações contam. Sentimos dentro de nós aquilo que nos faz vivos (pare agora e sinta o que está por trás do pensamento. Tem algo, não tem?), e isso vale para quem segue ou não todo tipo de religião; e cuidar dessa UMA coisa, essa fonte eterna de vida, é o que é, para mim, ser religioso. 

A origem correta da palavra, a que rejeitei no início do texto, faz sentido aqui, para quem teve preguiça de clicar no link: "relegere, em que re-, "de novo", está associado ao verbo legere, "ler", abrigando o sentido de "tomar com atenção". Uma pessoa vive a religião quando, uma e outra vez, cuida escrupulosamente de algo muito importante, algo que deve ser cultuado." 

E o que é mais importante que a vida?

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Este é o centésimo post do The Passed Pawn! E eu vou comemorar: uhú!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nada pessoal


Pela primeira vez no blog, vou postar um texto alheio. Ele mudou minha percepção das coisas. O original está em http://vividlife.me/ultimate/30100/dont-take-anything-personally e esta abaixo é uma tradução totalmente livre feita por mim. É meio longo, então, sente-se confortavelmente ou fique à vontade para desistir. Espero que goste, caro desleitor!

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Imagine que você está em um shopping gigantesco com centenas de salas de cinema. Você olha em volta para ver o que está passando e nota que o título de um dos filmes é o seu nome. Incrível! Você entra na sala, que está vazia, exceto por uma pessoa. Bem discretamente, para não interrompê-la, você se senta atrás dela, que nem percebe a sua presença; toda a atenção dela está no filme.

Você olha para a tela e, que surpresa! Reconhece todos os personagens do filme - sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs, seu amor, seus filhos, seus amigos. Então você vê o protagonista do filme e é você! Você é a estrela do espetáculo e essa é a sua história. E aquela pessoa na sua frente, bem, também é você, vendo você mesmo atuar no filme. É claro, o protagonista é apenas como você acredita que é, assim como acredita serem os coadjuvantes, porque, bom, você conhece sua própria história. Após um tempo, você fica um tanto impressionado com aquilo tudo e decide ir até outra sala.

Nessa sala também tem só uma pessoa assistindo e ela não percebe nem que você se sentou ao seu lado. Você começa a assistir também e reconhece todos os personagens, mas, dessa vez, você é apenas coadjuvante. Essa é a história de vida de sua mãe, e é ela quem está ali, completamente atenta ao filme. Aí você percebe que sua mãe não é a mesma pessoa que estava no seu filme. O jeito como ela se projeta é totalmente diferente no filme dela. Esse é o modo como sua mãe quer que todos a vejam. Você sabe que não é autêntico. Ela está atuando. Mas você começa a entender que é como ela se vê e fica um pouco chocado.

Então você percebe que o personagem que tem o seu rosto não é a mesma pessoa que estava no seu filme. Você diz a si mesmo: "Ah, esse não sou eu", mas agora você sabe como sua mãe te vê, no que ela acredita a seu respeito, e está longe da sua crença sobre você mesmo. Aparece o personagem do seu pai e o jeito como sua mãe o percebe, e não tem nada a ver com o jeito que você o vê. É completamente distorcido, assim como a percepção da sua mãe em relação aos outros personagens. Você vê o que sua mãe pensa a respeito de seu companheiro e fica até um pouco irritado: "Como ela ousa?!" Você se levanta e sai de lá.

Na sala ao lado está passando a história do seu amado. Agora você pode ver qual é a percepção dele a seu respeito e o personagem é absolutamente diverso daquele do seu filme ou do filme da sua mãe. Você percebe como ele vê seus filhos, sua família, seus amigos. Você vê como ele quer ser visto e não é a forma como você o vê, de jeito algum! Você sai do filme e vai assistir ao de seus filhos, como eles te veem, como veem o vovô, a vovó, e você mal pode acreditar. Aí você vê os de seus irmãos e irmãs, os filmes dos seus amigos, e você descobre que todo mundo distorce todos os personagens em seus filmes.

Depois de ver todos esses filmes, você decide retornar ao primeiro cinema para ver o seu próprio mais uma vez. Você se vê atuando no seu filme, mas já não acredita no que vê; você não acredita mais em sua própria história pois pode ver que é apenas uma história. Agora você sabe que toda a atuação em que se empenhou a vida inteira não serviu de nada, pois ninguém te percebe do jeito que você quer ser percebido. Você entende que todo o drama acontecendo no seu filme não é percebido por ninguém ao seu redor. Fica óbvio que a atenção de cada um está em seu próprio filme. Eles nem percebem que você está sentado bem ao lado deles no cinema! Os atores estão com toda sua atenção voltada para seu próprio roteiro e é a única realidade em que eles vivem. A atenção deles está tão viciada na sua própria criação que eles nem percebem sua própria presença, aquele que está observando o filme.

Nesse momento, tudo muda de figura para você. Nada mais é a mesma coisa, pois você vê o que está realmente acontecendo. As pessoas vivendo em seus próprios mundos, seus filmes, suas histórias. Eles apostam todas as suas fichas naquela história e ela é verdadeira para eles, mas é uma verdade relativa, porque não é a verdade para você. Agora você pode ver que todas as opiniões que eles têm sobre você são dirigidas àquele personagem de você que vive no filme deles, não no seu. Quem eles estão julgando por você é o personagem de você que eles criaram. O que quer que seja que pensem de você é, na verdade, sobre a imagem que têm de você, e essa imagem não é você.

A essa altura, está claro que as pessoas que você mais ama não lhe conhecem e você também não as conhece. A única coisa que você sabe sobre elas é aquilo em que acredita a respeito delas. Você conhece apenas a imagem que criou para cada uma delas, e a imagem nada tem a ver com aquela gente. Você pensava que conhecia seus pais, seu cônjuge, seus filhos e amigos muito bem. A verdade é que você não faz a menor ideia do que está acontecendo no mundo deles, o que pensam, o que sentem e com o que sonham. O que mais surpreende é que você pensava que conhecia a si mesmo. Então vem a conclusão de que você nem conhece você mesmo, pois está atuando há tanto tempo que dominou a arte de fingir ser o que não é.

Consciente disso, você percebe como é ridículo dizer: "Minha esposa não me entende. Ninguém me entende." É claro que não entendem. Nem você se entende. Sua personalidade muda de um minuto para outro, conforme o papel que está interpretando, de acordo com os coadjuvantes na sua história, a ver com os seus sonhos naquele momento. Em casa, você tem certa personalidade. No trabalho, tem um jeito totalmente distinto. Com suas amigas, é uma coisa; com seus amigos, outra. Mas ao longo de toda a sua vida você supôs que as outras pessoas te conheciam tão bem, e quando elas não agiram como você esperava, você levou para o lado pessoal, reagiu com raiva e usou as palavras para gerar um monte de confusão e drama à toa.

Assim fica fácil entender porque há tanto conflito entre seres humanos. O mundo está povoado com bilhões de sonhadores que não estão cientes que os outros estão vivendo em seus próprios mundos, sonhando seus próprios sonhos. Da perspectiva do protagonista, que é seu único ponto de vista, tudo tem a ver com eles. Quando um personagem secundário diz alguma coisa que não bate com a história deles, eles ficam nervosos e tentam defender seu ponto de vista. Eles querem que os outros integrantes da história sejam como eles querem que sejam, e se não são, ficam magoados. Eles levam tudo para o lado pessoal. Com essa consciência, você também compreende a solução. É algo muito simples e lógico: Não leve nada para o lado pessoal.

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Este é o trecho do livro "O Quinto Acordo: Guia Prático do Autodomínio" (tradução livre), de Don Miguel Ruiz. Ele é de uma família de curandeiros mexicanos e carrega centenas de anos do legado místico e conhecimento do povo Tolteca. Ele passou por uma experiência extracorpórea após um grave acidente de carro que mudou sua vida, e hoje dedica-se transmitir o conhecimento adquirido em inúmeras viagens a lugares sagrados em todo o mundo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Struggle


I see struggle in every face
In the mirror I see struggle
But the struggle has no face

I see a mirror in your face
In the struggle I see mirrors
Though reflections do not struggle

I see a face in the mirror
In me I see you and one face
And I face the struggling truth

That is to be

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Pra acabar

Tanto se falou no fim do mundo e tão pouco esforço vi no intuito de defendê-lo. Afinal, que lugar, tempo ou experiência se quer conservar, ou é apenas a noção de mundo, para que possamos ter onde expor esse medo? Medo estúpido da finitude, como se a continuidade, do jeito que temos conduzido as coisas, fosse benéfica para alguém ou algo. Imagino, se fosse perpétua a parvidade dos homens e mulheres que hoje habitam a "estimada" Terra, muitos lamentariam sua não extinção. Para lamentarmos o fim, precisaríamos, antes, viver uma vida digna de saudade. (Viver, apenas, sem adjetivos) E de onde, pergunto, essa perda seria sentida? Do além, do paraíso, do inferno, do espaço, de outro plano ou existência? Pois sem antes nem depois, agora é o que há, e não ouço sequer um noticiário alardear: "Este é o momento pelo qual esperamos. O dia em que nós, seres humanos, descobrimos a infinita beleza deste finito mundo".

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um gole do outro (adendo)

Achei que a postagem anterior, Café sem Açúcar, merece um adendo: ainda que todos sejamos capazes de suportar sozinhos esse café amargo da vida, é muito melhor se pudermos fazê-lo juntos! Quando alguém amado, necessitado, estranho ou conhecido estiver passando por um grande sofrimento, dor terrível ou momento de tristeza, podemos provar um gole do café do próximo... Isso se chama compaixão. Não é fácil engolir, muitas vezes, esse sabor forte. Para dividir o fardo, basta estarmos presentes, sentir um pouco do amargor alheio, segurar a mão. Não se trata de soltar umas poucas palavras de conforto vazias ("vai ficar tudo bem") ou artifícios para curar o que só a própria experiência cura, deixa passar, dispersa. Nada impede, mas isso seria apenas jogar um pouco de açúcar no café. Partilhar um dissabor é um presente que damos com a nossa presença - e isso é mais subestimado do que podemos imaginar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Café sem açúcar

A Thaís, minha mulher, que é adorável até quando está absurdamente preocupada, em um de nossos papos exaustos pré-sono (ou pré-noite-mal-dormida, já que ter um bebê de seis meses no quarto ao lado é para os fortes, como ela é), afirmou: "Não quero que nosso filho sofra, nunca". "Eu também não quero", respondi e retruquei, "mas ele vai sofrer, meu amor". Abracei-a.

É triste constatar que o sofrimento é algo inerentemente humano, mas busco proporcionar com esse texto um pequenino consolo, para mim e para todas as (duas?) pessoas que o lerem: o que significava sofrer antes que nomeássemos esse conjunto de sentimentos? É certo que havia o sofrimento, ele puro, sem a ideia dele, sem o nome. E é certo também que não era, assim como nunca foi, algo fixo, igual para todos os que o sentissem - é algo que se apresenta de um jeito diferente a cada vez, volátil, etéreo, assim como toda sensação.


Quero dizer, apenas, que as coisas pelas quais passamos na vida, as emoções que fazem o corpo vibrar, as alegrias, as desgraças e maravilhas, todas são o que são e o que tiverem de ser, sem a necessidade de as definirmos antes (ansiedade) ou depois (arrependimento, rancor) de as experimentarmos. Assim, quando nos esforçamos para evitar algo como sofrer, geramos apenas um atrito mais intenso do que o próprio sentimento; e quando ficamos remoendo algo que nos fez sofrer, idem.


Uma analogia que me veio de estalo (achei boa na hora, então melhor escrever antes que se torne besta) agora há pouco foi com a minha maneira de tomar café. Tomo sem açúcar. Você deve ter contorcido o rosto, eu entendo. É amargo. Mas ele há de ser! Não importa quanto adoçante coloque: lá no fundo da sua gartanta está o amargor, e tudo o que fiz foi aprender a gostar dessa bebida assim, como é, pra valer, diretamente nas minhas papilas gustativas.


Mas o que é que apreciamos, o amargo ou o doce? Será que a vida não aceita ambos, já que é tudo parte do que vivemos no dia a dia? Já que não lutamos contra o doce quando ele vem, por que batalhar com o amargo? Será que não temos a capacidade de permitir que tudo isso, que é humano, se manifeste e se disperse em nós? É a experiência direta, é viver a vida, a real.


Não estou dizendo que sofrer é uma delícia, mas que o sofrimento
só se concretiza quando a gente tenta evitar esse sentimento vago, antes sem nome, agora fixado na mente pela linguagem (o verbo sofrer). Mas, quanto mais você toma desse café escuro da vida, percebe que mesmo o amargo tem sabor. Uma hora ou outra você terá de enfrentar o amargor, e verá que ele passa. Deixe a amargura passar também.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sucessão


Sabe o que eu quero?
Uma quase sentença
sucedida de silêncio

Como em:
"Sabe o que..."

Não quero saber o que eu quero

Que o querer fique no ar
antes de ser

Nada do que eu quis
fiz

No meu querer
o fazer era diverso
e de nada importou que eu quisesse

Fiz como foi feito

Sabe o que eu queria?
Não sei, não sabia
não saberia

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Life's little difficulties

Maze of Glendurgan

You have to live off of life's little difficulties. You have to leave some of yourself along the way. Cause earth demands some of its matter back. And you will no longer be here to use it in a few years from now. Live on!