terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nascente

(Em continuidade ao poema Cascata. Este não é um poema. Ou é?)

Já tive meu carro roubado
mas nenhum larápio foi capaz
de furtar o que me move

Já tive o coração partido
Mas nenhum romance frustrado
levou ele embora

Já chorei de dor
tristeza e desespero
mas de onde vêm as lágrimas
(e sempre virão)
vem vida, vem amor

Hoje estou inteiro
nada me tirou pedaço

Pois o que sou
somos todos
e é eterno

O que somos?
Um só

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cascata

Atrás dessa feroz cascata
está meu corpo, seco e limpo

Em meio ao ruído ensurdecedor
estou eu, a meditar em silêncio

Sob escombros escabrosos
minha alma está pura, intacta

A pena que me escreve é leve
o sangue que me corre, bom
o tempo é um impasse, morto
e a vida que me mata
não

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Call it what you want


Some people tend to rush it
others like to seem blasé

Some people look for it
some people just ignore it

Some people try to pretend
they don't want it

But we all do

Call it Love
call it God
call it Joy
or Fulfillment

In whatever degree
what else is there
for us to be?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ladeira

Gosto de tirar as mãos do guidão
De descer na maciota
de costas
na contramão

De poder subir no busão
e cochilar
sem saber em que ponto vai dar

Gosto do tempo que faço
quando largo mão de contá-lo

Desgosto chorar quando riem
Mas não rio quando o fazem
Me compadeço

Estar ao contrário
inverso
do avesso e liberto
é estar exposto
vulnerável
aberto e só

E gosto

terça-feira, 12 de junho de 2012

Buraco entre os dentes


Na limpeza dos dentes
o buraco entre eles
fica evidente

Sente-se tudo
o ar que refresca
assobia na gente

Na limpeza da mente
sente-se a vida que há
entre um receio
e outro

O intervalo entre o osso
o duro
e outro

Uma aflição
uma razão
uma intenção
e outra

O mole que há
o vazio
e a delícia de ser
sem esforço

Limpo!

O buraco da mente
e o coração cheio.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Loteria



Milhões na fila
da loteria
e no bolso 
o tostão do bilhete

Quem premia 
quem frustraria
esse sonho 
de fazer o quê?

Com tanto dinheiro
eu seria você
e não queria

terça-feira, 17 de abril de 2012

Te encontrei a buscar
Permiti me encontrar
Descobri: não precisa

Você é agora
O que mais?

Vivi no antes
temi depois
perdi meu presente
hoje

Te quero sem nada
nó desatado
feliz num só
nós

quarta-feira, 21 de março de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quem cedo madruga?

O silêncio da madrugada é companheiro
Parece que a luz é intrusa nesse reino de paz

Numa história de horror ao contrário
a alvorada é que atrai à cidade os zumbis
putrefatos, caçando carniça para beliscar

Em coletivos
levados ao centro
ponto de encontro de almas penadas

E esse bolo de dor sub-humana
fermenta embaixo do sol

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pequeno mensageiro de novos tempos

Nesse ano que entra, vem aí o pequeno Pedro, meu e de Thaís, que não é o produto, mas a continuidade, a perseverança do nosso amor. É um pingo de energia, vindo da nossa, que cresce, e vai carregar a história humana que escrevemos, mas com leveza, sem que isso seja um fardo, e vamos fazer de tudo para que não seja. Ele é mensageiro disso tudo, e, aliás, não somos todos?

Se há alguma real importância nessa memória toda que acumulamos é a oportunidade de portar, transmitir, comunicar, avisar, espalhar uma mensagem de amor, como se disséssemos: "Vejam, sou mulher, sou homem! Tenho o maravilhoso privilégio de experimentar esse mundo, essa vida, com todas as suas bem-aventuranças e malogros! Deram-me à luz para que eu a reflita a todos, aos céus, ao espaço infinito e até a outros mundos, se eles existirem... Eu SOU e por isso sou grato!"

Filhos não devem ser poços de esperança e muito menos de frustrações, mas devem, sim, ser tratados como um presente - não um egoísta, que damos a nós mesmos, mas ao planeta -, um pedacinho melhorado de nós. Isso basta. Não importa o destino que ele tomará, pois será belo o caminho de perpetuar a alegria com que o recebemos. Criá-lo não é para nós, é para um presente mais justo e um futuro que só a ele pertence, não a nós.

Não há, portanto, o que projetar. Ser é também deixar ser, e gerar uma criança é facilitar sua chegada. Depois que ele chegar, não pretendemos sufocá-lo de responsabilidades, apenas ensinar a ele que cuidar do mundo é uma maneira de liberar o caminho para outros mensageiros de luz, como ele, e como todos os que amam.

Em 2012, está chegando o Pedro, que significa, assim como parece, pedra, rocha. Essa firmeza ele vai usar como quiser: para brigar, para decidir, para construir, para destruir... Mas Pedro também foi "pescador de homens", após incentivo de Jesus, pois de pescador de peixes viria a se tornar bispo - o fundamento da igreja, a pedra que viria a embasar a reunião dos homens.

Mas para ele, nada de planos, nada de passado, nada do peso de significados históricos. Sua chegada será um incrível recomeço de nossa própria vida, e ele vai nos ensinar a tratar essa bênção com muito mais carinho, daqui por diante, sem nem precisar se esforçar. Ele só precisa ser. Ele já é, e muito bem-vindo. Pedro, já te amamos, e essa fonte de amor, meu filho, nunca seca!

Um 2012 de muita PAZ a todos!